Com 58%, estado do Amazonas lidera índice de mortalidade indígena por Covid-19 no Brasil

Carolina Givoni – Da Revista Cenarium

MANAUS – O Estado do Amazonas concentra a maior quantidade de óbitos indígenas por Covid-19, com 132 mortes confirmadas em 15 etnias diferentes, representando 58% da mortalidade pela doença. Em todo País, a pandemia já vitimou 228 nativos, de 76 etnias.

Segundo o último boletim epidemiológico da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), divulgado na terça-feira (9), o número de infectados chegou a 2.908, com 386 casos suspeitos e 228 óbitos em 43 povos indígenas.

Os povos originários da Amazônia são os mais afetados pelo vírus, que apenas no Amazonas causou a morte de (55) Kokama, (16) Tikuna, (7) Baniwá, (7) Baré, (6) Tukano, (4) Apurinã, (3) Mura, (2) Koripapo, (1) Matsés, (1) Tariano, (1) Sateré Mawé, (1) Omagua-Kambeba, (1) Dessana, (1) Mundukuru e (1) Karapanã; totalizando 132 mortes com 25 indígenas sem identificação da etnia.

O Pará segue na segunda colocação com 51 óbitos, com Roraima fechando a lista dos três estados com 29 mortes causadas pelo novo Coronavírus.

Os dados da organização divergem da contagem feita pela Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), que leva em consideração apenas indígenas aldeados para registro, o que é contestado por lideranças. “Ao negar esse atendimento a quem se declara indígena mas não reside nas aldeias, a Sesai evidencia o racismo estrutural, disse o advogado e indígena Sateré Mawé, Tito Menezes.

Dados

A Sesai apresentou nesta quarta-feira (10), 2.392 casos de Covid-19 confirmados, 435 suspeitos, 85 óbitos e 1.088 casos de cura clínica. Essas informações são obtidas junto a cada um dos 34 Distritos Sanitários Especiais Indígenas (Dsei) e, após validados pelo Departamento de Atenção à Saúde Indígena (DASI) e assim disponibilizados a sociedade.

Por Dsei, segundo a Sesai, as regiões amazônicas são as que possuem mais casos confirmados de Covid-19. Sendo a região do Alto Solimões, no Amazonas com 448 casos confirmados, Guamá Tocantins (PA) com 182, Alto Rio Negro com 157, Maranhão com 131 e Amapá e norte do Pará com 117 casos.

Ações da Sesai

O governo Federal diz que tem garantido assistência aos mais de 750 mil indígenas brasileiros aldeados durante a pandemia da Covid-19. O Ministério da Saúde, por meio Sesai, reforçou o atendimento desde o começo do ano, antes mesmo do decreto de pandemia feito pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Dessa forma, foram realizadas ações de informação, prevenção e combate ao coronavírus, orientando comunidades indígenas, gestores e colaboradores em todo o Brasil. O Brasil conta com mais de 5,8 mil aldeais espalhadas pelo país de 305 etnias.

“Mesmo antes da decretação de pandemia, nós da Sesai já estávamos atuando por reconhecer a fragilidade, a história e o perfil epidemiológico dos povos indígenas. Nós temos unido grandes esforços junto aos estados e municípios para atuar de forma coordenada, ampliando as ações de saúde no país, com o único objetivo de salvar vidas neste momento”, reforçou o secretário Especial de Saúde Indígena do Ministério da Saúde, Robson Santos da Silva.

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