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28 de novembro de 2021
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Folhapress

Depois que o chefe do Gabinete de Segurança Institucional General Augusto Heleno chegou a cantarolar, parodiando o samba do grupo ‘Os Originais do Samba’, “Se gritar pega Centrão! Não fica um meu irmão…”, na convenção do PSL, durante lançamento da candidatura de Jair Bolsonaro à Presidência, em julho de 2018, alegando ser o ‘Centrão’, o maior grupo da política brasileira, o governo Bolsonaro pagou com a língua.

Acuado pelos sucessivos pedidos de impeachment diante de sua postura desastrosa no combate à Covid-19 e isolado politicamente no Palácio do Planalto, Bolsonaro, enfim, aceitou fazer a ‘velha política’, traduzindo: vai trocar cargos por votos.

O reconhecimento veio do vice-presidente Hamilton Mourão, nesta terça-feira,12. Para ele, o Poder Executivo errou ao não ter construído antes uma base aliada no Legislativo e ressaltou que a oferta de cargos e emendas faz parte do processo de negociação. Em live promovida pela XP Investimentos, o general da reserva defendeu a participação dos partidos do chamado centrão em uma coalizão de centro-direita, com cerca de 300 deputados, que permita assegurar uma estabilidade política.

Tapar o sol com a peneira

“Temos de buscar uma coalizão programática. É óbvio que cargos, emendas e essas coisas fazem parte da negociação entre Executivo e Legislativo. Não adianta querer tapar o sol com a peneira. Acho que está mais ou menos sendo conduzido dessa forma”, disse.
A formação de uma base aliada contradiz o discurso de campanha eleitoral do presidente Jair Bolsonaro, segundo o qual ele não governaria com o que chamava de “velha política”. Com o risco de abertura de um processo de impeachment, Bolsonaro mudou de postura.

Desde a semana passada, o presidente tem nomeado indicados de políticos do ‘Centrão’ para postos de destaque na administração pública. O movimento tem irritado integrantes da equipe ministerial, que tentam resistir ao loteamento político.

Mão à palmatória

“O presidente foi o ano passado todinho criticado porque ele não tinha feito isso. Aí, agora, ele chegou à conclusão de que tem de dar a mão à palmatória. Erramos e não construímos a coalizão necessária. Agora ele está buscando construir essa coalizão”, disse Mourão.
O general negou que Bolsonaro, ao ter iniciado uma negociação com partidos, tenha como objetivo escapar de um processo de afastamento do cargo. Segundo Mourão, a meta é conseguir apoio suficiente para aprovar as reformas administrativa e tributária.

Pariu um rato

Na transmissão online, Mourão também avaliou que a saída do ex-juiz Sergio Moro do Ministério da Justiça foi traumática, mas considerou que, no final das contas. “Quando a gente olha o conjunto desse caso, eu digo para vocês com toda a sinceridade: a montanha está parindo um rato. O presidente querendo trocar o diretor da Polícia Federal é um livre-arbítrio dele”, disse Mourão.

O general afirmou ainda que o pedido de demissão do ex-ministro criou uma celeuma que, na avaliação dele, é “inócua”. Para Mourão, Moro não teve uma “saída do governo digna” e poderia ter deixado o cargo sem criar um imbróglio. “Não resta dúvidas de que prejudica toda a vez que o governo tem de alocar esforços e recursos e acaba tendo de se explicar para fatos que são totalmente anômalos do momento”, finalizou.