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8 de dezembro de 2021
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Bruno Pacheco – Da Revista Cenarium

MANAUS – Primeiro secretário de Saúde da gestão de Wilson Lima, o vice-governador Carlos Almeida Filho, que publicamente demonstrou ter forte ingerência sobre a então Susam (Secretaria de Estado da Saúde), agora tenta se esquivar de denúncias das suspeitas de irregularidades envolvendo a compra de respiradores para hospitais da rede pública.

Em depoimento, Almeida reforçou a tese de que um dos presos na segunda fase da operação Sangria, o militar reformado Gutemberg Alencar, mantinha vínculo com o chefe do Executivo, informação que não foi confirmada nem pelo próprio investigado.

As declarações ‘voluntárias’ de Carlos Almeida à Polícia Federal (PF) foram dadas semanas após ele ter amargado na Justiça uma derrota ao tentar recuperar cargos da Vice-Governadoria, remanejados por Wilson Lima à Casa Civil do Estado. A mesma Casa Civil que há alguns meses, era chefiada por Almeida, nomeado após sua saída da Susam, atual SES-AM.

De difícil convivência, Almeida tem protagonizado cenas de divergência com Wilson Lima, em especial, durante a pandemia do novo coronavírus, período em que o estado concentrou esforços para a reestruturação da rede de média e alta complexidade no Amazonas, de modo a combater a Covid-19.

Desmoralizado no Executivo atualmente, Almeida alega ser inocente e não ter participação no processo de compra dos respiradores, ocorrida em abril, quando ele gozava de certa influência no Governo. Ao mesmo tempo, se contradiz em seu depoimento, afirmando que “enquanto chefe da Casa Civil”, sua função “era cobrar dos servidores das pastas que realizassem a compra do equipamento” e que “sofria pressão inclusive do Ministério Público”.

Além disso, o próprio Carlos reforça em depoimento, que pessoas acusadas de praticarem irregularidades no processo de compra dos respiradores, como o ex-secretário Executivo da Susam, advogado João Paulo Marques dos Santos, foram convidadas por ele para atuar na pasta de saúde. No caso de João Paulo, o convite foi para a assessoria jurídica. Em seguida, ele assumiu como secretário.

Defensor público licenciado, Almeida também foi responsável por indicar outros nomes conhecidos da equipe de investigação da PF, para trabalhos na saúde. Entre eles, está o funcionário de carreira da Defensoria, Perseverando Trindade Filho, ex-secretário adjunto da Susam. Tanto Perseverando, quanto João Paulo, foram presos na primeira fase da operação Sangria, e hoje respondem em liberdade.