Participe do nosso grupo no Whatsapp Participe do nosso grupo no Telegram
26 de janeiro de 2022
Ainda não é assinante
Cenarium? Assine já!
ASSINE

Com informações do Infoglobo

RIO DE JANEIRO – Aumento da frota própria, planos de contingência preparados e um relacionamento mais estreito com as transportadoras passaram a fazer parte da rotina das empresas desde a paralisação dos caminhoneiros de 2018, que se estendeu por dez dias e causou desabastecimento no País. Ao longo da última semana, a indústria acompanhou de perto os desdobramentos do movimento de bloqueios nas estradas, que teve impacto significativamente menor.

Para os empresários, porém, o risco de conviver com interrupções ao transporte se traduz em custos mais altos, além de danos à imagem do País no exterior.

A Predilecta, indústria de alimentos de grande porte com sede em Matão, no interior de São Paulo, está entre as empresas que mudaram sua estrutura logística desde 2018. Na época, transportava metade de sua carga em frota própria, hoje, o patamar é de 70%, considerado um ponto de equilíbrio. Desde então, ela comprou ao menos 60 caminhões, contando com um total de 250.

Bruno Trevizaneli, diretor do grupo, explica que ainda que não tenham ocorrido novas grandes paralisações, o custo da logística saltou e se tornou “um grande gargalo no país”.

“Nós ampliamos a frota. Todos os custos subiram, com combustível, seguro e o do próprio caminhão. Então, temos investido muito em ganho de eficiência”, conta o executivo.

Um novo sistema de gestão de frota monitora o custo do quilômetro rodado. Além disso, a empresa aumentou a equipe de motoristas para que os caminhões possam circular sem interrupção. O rodízio de profissionais permite respeitar a escala de descanso desses trabalhadores e ampliar o uso dos veículos.

“Contratamos mais uns 50 motoristas, somando hoje perto de 320. Nós gostaríamos de comprar ao menos mais 15 caminhões, mas o preço médio saltou de R$ 380 mil, há um ano, para R$ 550 mil agora. E são modelos com oito meses de prazo de entrega. Há transportadoras comprando centenas de caminhões. É muita demanda, e a produção, como em todo setor automotivo, não está conseguindo atender”, destaca Trevizaneli.

A GE Celma, empresa de revisão de motores aeronáuticos localizada em Petrópolis, conta com um plano de contingência para futuros bloqueios em estradas com o alcance do que ocorreu em 2018. Normalmente, turbinas e materiais chegam no aeroporto de Viracopos, em Campinas, e de lá, seguem pela malha rodoviária até Petrópolis. O plano de emergência prevê aluguel de aviões para trazer mercadorias diretamente ao Galeão, o que encarece o transporte.

“Estamos em estado de alerta para entender se haverá desdobramentos. Cerca de 95% dos motores que revisamos vêm de fora do Brasil, e muitas das peças que utilizamos também”, conta Julio Talon, presidente da GE Celma e da Firjan Serrana.

A companhia faz a manutenção de motores de grandes companhias aéreas de passageiros e de carga. Qualquer atraso na entrega do equipamento significa pagamento de multas altas, além do leasing de motores para substituir os que estão parados no Brasil.

“Em 2018, tivemos motores prontos para ir embora que ficaram parados por uma semana. Um ativo de milhões de dólares parado em um posto de gasolina na Via Dutra”, diz Talon, que afirma que esse tipo de situação gera prejuízos à reputação da empresa e do País no exterior.

Segundo o presidente da GE Celma, os clientes fora do Brasil têm uma “dificuldade muito grande” para conviver com essa insegurança, e as empresas acabam correndo o risco de perder contratos ou volume de serviços nesses momentos.