26 de novembro de 2020

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Bruno Pacheco – Da Revista Cenarium

MANAUS – Há dez meses, a rotina da chef de cozinha e professora de confeitaria Thais Vieira, de 26 anos, teve uma reviravolta que nem mesmo ela esperava. Grávida do pequeno Gohan, que completou seu primeiro mês de vida na última quinta-feira, 22, enfrentou a pandemia da Covid-19 ao lado do marido Stefano Vieira, precisando se reinventar para não deixar de ensinar a confeitar bolos.

Nesta semana, menos de um mês após o nascimento do filho, a confeiteira fez um vídeo usando um sling para carregar o bebê no colo e viralizou nas redes sociais.

Com o pano, chamado de sling, versão modernizada dos tradicionais carregadores de bebês utilizados durante séculos por indígenas e pelas mais diversas culturas africanas, asiáticas e indianas, a mamãe de ‘primeira viagem’ consegue trabalhar normalmente por horas sem deixar o filho desconfortável.

O vídeo, publicado no domingo, 18, já tem quase 50 mil visualizações no Facebook e mais de 30 mil no Instagram. De licença-maternidade, Thais contou à CENARIUM que decidiu voltar a trabalhar para fazer um bolo a um amigo e que utilizar o tecido para carregar o filho e poder confeitar bolo foi uma alternativa que encontrou para deixar o filho por perto.

Confira:

Por ser professora de confeitaria, durante a pandemia realizou cursos online com trechos das aulas publicados nas redes sociais. O vídeo com o filho foi o que mais repercutiu. “Como ele (o filho) não fica longe de mim, decidi gravar. Quando gravei, postei o vídeo e ganhou essa repercussão toda”, contou Thais.

Paixão pela culinária

Formada em gastronomia, a chef Thais Vieira conversou com a reportagem e contou um pouco sobre sua história. Segundo ela, ingressar na área culinária não foi sua primeira opção, pois o curso que ela desejava era enfermagem. No entanto, a mãe do Gohan disse que se apaixonou pelo curso e que decidiu que era isso que queria para sua vida.

Já no primeiro ano de faculdade, em 2013, a jovem conseguiu seu primeiro emprego em uma confeitaria e, desde então, começou a trabalhar com encomendas. O estabelecimento, no entanto, encerrou suas atividades após um breve período e Thais passou a atuar apenas com encomendas.

Em 2015, Thais formou-se como chef e dois anos depois viu a necessidade de encarar novos desafios, foi quando um amigo a indicou para uma vaga de professora de confeitaria em Manaus.

“Comecei a dar aula e com o tempo fui ganhando experiência. A partir disso, fui fazendo mais cursos profissionalizantes e conhecendo novas pessoas. Hoje tenho muitas parcerias, onde represento algumas marcas aqui em Manaus”, detalhou.

Atualmente, a jovem não trabalha com encomendas por falta de tempo e ser educadora é a única profissão que exerce. Com alunos em todo o Brasil, a maioria de suas aulas presenciais são fora do Estado. O investimento para quem deseja ingressar em cursos online oferecidos por Thais é a partir de R$ 50.

Forma de garantir renda

Filha da ex-vocalista da banda Água Cristalina, a cantora Silvinha, Thais salientou ainda que em meio às estatísticas da taxa de desemprego do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que no mês de setembro alcançou 18,2% da população do Amazonas, ou seja, 301 mil pessoas, “continuar trabalhando também é uma forma de garantir uma boa renda para a família”.

Com o novo Coronavírus, momento em que o mundo todo vivencia uma das maiores crises sanitárias da história, trabalhadores por todo o planeta precisaram se reinventar. O medo de ser infectado pela doença criou uma série de protocolos preventivos, fazendo brasileiros e amazonenses redescobrirem o home office (teletrabalho).

Desde que descobriu que estava grávida, em janeiro deste ano, Thais explicou que precisava pensar numa forma de seguir atuando sem prejudicar a saúde dela e do bebê. A chegada da Covid-19 fez com que ela parasse de viajar e trabalhar, agilizando ainda mais esse processo e fez com que a chef ofertasse cursos online durante a pandemia.

“Apesar disso, nos adaptamos e comecei com as aulas online. Foi algo positivo, pois existiam alunos que não conseguiam fazer o curso por serem de todo o País e também de fora do Brasil, como a Argentina, Portugal e Angola”, enfatizou Thais, que pretende continuar viajando a trabalho a partir de 2021.

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