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21 de outubro de 2021
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Victória Sales – Da Cenarium

MANAUS – Com o objetivo de fazer um resgate histórico, o Conselho Municipal de Cultura (Concultura) e a Fundação Municipal de Cultura, Turismo e Eventos (Manauscult) abriu para visitação, nesta quinta-feira, 23, das 9h às 16h, de forma agendada, a primeira ‘Mostra de Arte Indígena’, no Palácio Rio Branco, localizado no Centro de Manaus.

O espaço, localizado na praça Dom Pedro II, é um local sagrado para os povos indígenas, onde se encontra a Aldeia da Memória Indígena. O evento abriu a programação de atividades para a celebração dos 352 anos de Manaus, que serão comemorados no dia 24 de outubro.

Para o presidente do Concultura, Tenório Telles, o evento de abertura realizado nessa segunda-feira, 22, teve todos os elementos para ser histórico, em virtude da sua simbologia. “As vozes de nossos ancestrais foram apagadas por muitos anos, e agora, são resgatadas e oportunizam um novo futuro para os povos, que constituem o povo manauense”, afirmou.

Obras em exposição na primeira “Mostra de Arte Indígena” em Manaus (Gisele Coutinho/Cenarium)

“É a primeira vez que se realiza uma mostra com essa importância, coma essa magnitude. É simbólica, pois ela representa esse processo de resgate da memória ancestral da cidade de Manaus. Desde a inauguração o memorial da aldeia indígena na praça Dom Pedro II, nós iniciamos esse trabalho de valorização do nosso passado, da nossa história, e principalmente, esse trabalho de resgate e de reparação desse longo silêncio que pairou durante muito tempo, em relação as populações indígenas de Manaus”, relatou Tenório.

Já o diretor-presidente da Manauscult, Alonso Oliveira, também chamou a atenção para o resgate histórico em relação às populações indígenas que contribuíram para o surgimento da capital amazonense. Ele também ressaltou o esforço do Executivo municipal em realizar eventos e ações, criando oportunidades para o protagonismo dos povos indígenas residentes em Manaus e seu entorno.

“É preciso saber o que havia antes do cenário urbano, contar e valorizar a história dos povos originários, aí está a função do poder público”, destacou o titular da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa (SEC), Marcos Apolo, pela assessoria, para quem a leitura da história vai muito além da preservação dos prédios históricos.

Resgate

O antropólogo João Paulo Barreto Tukano é uma das lideranças indígenas mais presentes na trajetória da valorização cultural dos povos originários. “Estamos neste momento em cima dos corpos sepultados de nossos antepassados, temos um compromisso histórico de resgatar suas lutas e valores, visão de mundo, modo de vida, tecnologias, medicina”, afirmou.

Artistas indígenas presentes ao evento, Chermie Ferreira Kokama, Paulo Olivença, Tuniel Mura, Tchanpan Maricaua, Ivan Barreto, Kawena Maricaua, Otília Waraó apresentaram pessoalmente suas criações aos visitantes.

A mostra conta com esculturas orgânicas, objetos entalhados e quadros em vários estilos, que variam do grafite urbano, passando pelo impressionismo, primitivismo, apresentando uma diversidade, que revela a riqueza das muitas culturas indígenas, que constituem a cultura manauense.