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19 de junho de 2021
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Com informação do Site UOL

RIO DE JANEIRO – Duas amigas acusam um motorista de intolerância religiosa após terem sido deixadas “no meio da rua”, ontem, no Rio de Janeiro. Uma delas, a universitária Bruna Castro, 19, conversou com UOL e disse que já fez um boletim de ocorrência.

O caso foi parar nas redes. A manicure Gabriella Ferreira, de 19 anos, escreveu na sua conta que o motorista afirmou que ela e Bruna estavam com “roupa de santo”, e que daquela maneira elas não ficariam em seu carro. “Falou que não podíamos nem encostar a nossa bolsa no carro dele, acelerou, deixando a gente na rua!”, escreveu Gabriella num trecho.

A empresa 99 respondeu na rede social que “nenhuma forma de preconceito é tolerada”, e informou que bloqueou o perfil do motorista e procurou Gabriella “para acolhimento”. O Site UOL procurou a empresa para mais esclarecimentos, e aguarda retorno. “Na 99, o respeito mútuo é obrigatório, por isso, não importa a religião ou credo, todos devem ser bem tratados”, escreveu a empresa.

“Nós lamentamos o caso e esclarecemos que nenhuma forma de preconceito é tolerada. Realizamos um bloqueio no perfil do motorista e procuramos Gabriella para acolhimento. Na 99, o respeito mútuo é obrigatório, por isso, não importa a religião ou credo, todos devem ser bem tratados”, declarou a 99.

Bruna conta que toda quinta-feira ela e Gabriella vão ao barracão que frequentam em São Gonçalo, região metropolitana do Rio de Janeiro. E ontem, assim que o motorista chegou, sua amiga pediu para colocar as bolsas de roupas que estavam segurando no porta-malas do carro, mas ele teria respondido que “a mala estava ruim”. Ainda sugeriram colocá-las no chão do veículo, mas ele teria recusado.

“E depois [da negativa] falou que mandaria outro motorista nos buscar, porque ‘no meu carro vestidas assim vocês não entram. Nem suas bolsas quero que encostem aqui'”, relatou Bruna, reproduzindo a frase do homem. A universitária relata ainda que o motorista saiu andando com o carro enquanto falava, e acelerou ao acabar.

Bruna, que afirma nunca ter sofrido intolerância religiosa, conta que as duas amigas decidiram relatar o que ocorreu por mensagem, dentro do aplicativo. Mas como não receberam retorno na hora, publicaram a história nas redes. “A 99 enviou uma mensagem [pelo Twitter] para a Gabriella informando o número da central. Ligamos nesta sexta de manhã, e desligaram quando relatamos o ocorrido. Nossa intenção não é prejudicar a empresa, e sim que alguém ‘pare’ esse motorista, para que ele não faça o mesmo com mais ninguém”.

Intolerância religiosa é crime

Discriminação de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional pode resultar de um a três anos de reclusão e aplicação de multa, conforme determina a lei. Mesmo assim, entre janeiro de 2015 e o primeiro semestre de 2017, o Brasil registrou uma denúncia de intolerância religiosa a cada 15 horas, segundo o extinto Ministério dos Direitos Humanos.

Os números fizeram o Brasil ser denunciado, pela primeira vez, na Corte Interamericana de Direitos Humanos por omissão do Estado em relação a esse fato, em 2017. Ao UOL, o advogado Hédio Silva Jr, um dos principais defensores da causa no país, disse que “o Brasil vive a era do ódio”

“E o discurso do ódio religioso, fomentado diariamente por programas religiosos transmitidos, impunemente, por longas horas nas TVs e rádios”, disse à época da denúncia. Atualmente, segundo pesquisa Datafolha de dezembro de 2019, os católicos são 50% da população brasileira. Os evangélicos, 31%, e os adeptos de religiões de matriz africana 2%.