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23 de junho de 2021
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Iury Lima – Da Revista Cenarium

VILHENA (RO) – Desde o início do mês de junho, a cidade de Vilhena, a 705 quilômetros de Porto Velho, não dispõe de leitos de Unidade Terapia Intensiva (UTI) vazios para Covid-19. A prefeitura do quarto maior município de Rondônia diz que, apesar do quadro, não há fila de espera, mesmo sendo responsável pelo atendimento de pacientes graves dos outros seis municípios da região do Cone Sul, da qual faz parte. Por conta disso, nesta quinta-feira, 10, novas medidas restritivas, ainda mais rígidas que as impostas pelo decreto do Estado, entraram em vigor em território vilhenense.

Cenário agravado

No último dia, a Secretaria Municipal de Saúde (Semus) confirmou novos 72 registros de infecção e mais uma morte causada pela doença. Até agora, são 12.428 casos, 11.747 curados, e 317 mortes entre 224 vítimas vilhenenses e outros 93 pacientes de outras cidades, que buscaram tratamento em Vilhena, onde faleceram.

De acordo com a Semus, 36 pacientes estão internados, com a doença, em isolamento na Central de Atendimento à Covid-19 e no Hospital Regional. Entre eles, 31 são moradores da cidade e os outros 5, pacientes que saíram de Rolim de Moura, Cabixi, Corumbiara e Colorado do Oeste. Desse quadro, 19 estão na Unidade de Terapia Intensiva, e 16 deles, intubados: dez homens de 35 a 67 anos e seis mulheres de 48 a 60 anos.

As enfermarias também estão lotadas. Hoje, ao menos 17 pessoas recebem tratamento nessas alas. Os pacientes têm entre 22 e 66 anos de idade. “Hoje nós estamos passando, eu posso dizer, pelo pior momento da pandemia. Tivemos que abrir uma outra sala aqui no Hospital Regional para poder acomodar esses pacientes positivos de Covid-19. Então, queria deixar um recado bem claro para a população: não vamos brincar! Não vamos nos aglomerar! É um momento muito crítico que estamos vivendo no município”, disse à Revista Cenarium o diretor do Hospital Regional de Vilhena, Clair Cunha.

Casos

Nos últimos sete dias, Vilhena, com pouco mais de 102 mil habitantes, registrou 389 casos de Covid-19. E foi apenas ontem, quarta-feira, 9, que a taxa de ocupação de UTI caiu de 100% para 95%, ainda longe do ideal. Nas enfermarias, a ocupação atinge 71% e o quadro geral de leitos na cidade é de 81% ocupados. “A equipe do Hospital Regional, todos os profissionais, nós já estamos no limite, trabalhando dia e noite para atender a nossa população com dignidade, mas não está sendo fácil”, lamenta o diretor da unidade.

Clair ainda diz que o Ambulatório Covid-19, que fica atrás da unidade de saúde e presta atendimento para quem sente sintomas da doença, tem realizado em média 200 atendimentos por dia. “Então, o momento é bem crítico e nós gostaríamos da compreensão de toda a população: não venha ao hospital para um simples consulta, só venha se realmente necessitar de uma consulta de urgência ou de emergência”, pede o diretor, que teme o aumento do contágio do vírus.

Já em todo o Estado de Rondônia, são 235.383 infectados e 5.878 mortos pela doença. Assim como a Prefeitura de Vilhena, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesau-RO) informa fila zero de pacientes por leitos de UTI, mas tem total de 485 internados entre todas as 52 cidades.

Novo decreto

No dia 5, o Ministério Público do Estado de Rondônia (MP-RO) recomendou que o poder executivo tomasse providências quanto às medidas restritivas e lotação dos leitos com urgência.

O MP considera que o aumento das restrições, fiscalizações e autuações ao comércio e outros estabelecimentos ajudam a frear o aumento de casos de Covid-19, evitando as aglomerações e o descumprimento das medidas preventivas.

Nesta quinta-feira, 10, entrou em vigor o decreto municipal Nº 52.775, que declara Nível de Emergência na Saúde Pública. Entre as principais mudanças, com regras ainda mais rígidas do que as que estão em vigor pelo decreto estadual nº 25.981, está a criação de multa para festas clandestinas.

Diretor do Hospital Regional de Vilhena diz que todos os profissionais estão trabalhando dia e noite no limite. (Reprodução/Prefeitura de Vilhena)

Veja as mudanças

  • Atividades religiosas estão permitidas de forma presencial das 6h às 22h, todos os dias, com 30% de capacidade de público;
  • Fica proibido o consumo de bebida alcoólica em espaços, prédios e vias públicas, bem como a venda de bebida alcoólica a partir das 22h, em todos os dias da semana;
  • Festas e encontros privados com mais de seis pessoas estão proibidas, sujeitas à aplicação de multa de até R$ 9.254,00. Interações dançantes, música ao vivo e acústica também estão vetadas; 
  • Balneários, boates, casas de shows e congêneres não podem abrir. Aluguel e realização de festas privadas nesses espaços também são proibidas;
  • Haverá toque de recolher das 22h às 6h;
  • Atividades recreativas em espaços públicos que acarretem aglomeração estão proibidas;
  • Comércio funcionará com, no máximo, 30% de sua capacidade; 
  • Os restaurantes, cafeterias, lanchonetes, churrascarias, bares, praças de alimentação de shoppings centers e congêneres funcionarão das 6h às 22h, de segunda-feira a domingo, sendo permitida a entrega pelos sistemas delivery e drive-thru a partir das 22h01. O novo decreto estabelece  limite de no máximo quatro pessoas por mesa nestes estabelecimentos, com distanciamento mínimo de 1 metro e 20 centímetros, exigindo do cliente o uso da máscara sempre que deixar a mesa.