‘Comerciante não pode abrir loja, porque acha que precisa abrir’, diz FCDL sobre vendas do Dia das Mães

Nícolas Marreco – Da Revista Cenarium

MANAUS – Com mais de um mês de esvaziamento nos principais setores produtivos do Amazonas, os efeitos sazonais que poderiam trazer bons índices econômicos, como o Dia das Mães, se perdem em grande parte. Considerada pelo comércio como a segunda data mais importante do ano, a Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Amazonas (FCDL-AM) estima perda no volume de vendas desse período entre 40% e 50%. 

“Não têm indícios nenhum de abrir amanhã ou depois de amanhã. Quem decide isso são os médicos, o governador. O comerciante não pode querer abrir a loja, porque ele acha que precisa abrir, não é assim que funciona”, observou o presidente regional da FCDL, Ezra Azuri.

A data comemorativa ocorre no próximo domingo, 10. Em estados como São Paulo, houve pedido de reabertura já para maio, para aproveitar o movimento. O governo paulista, inclusive, sinalizou adiar para agosto a data.

Já o presidente da Câmara Dirigente dos Lojistas em Manaus (CDL), Ralph Assayag, disse que havia previsto que um fechamento absoluto do comércio “resultaria em 80% das vendas e seriam 40 mil pessoas demitidas”. 

Medidas alternativas adaptadas ao distanciamento social podem ter um encaixe oportuno, nesse sentido. Vendas à distância, seja online, por redes sociais, ou pelo telefone são alguns caminhos. Ezra Azuri diz que, eventualmente, para os clientes que conseguirem, pode ser feita uma espécie de drive-thru para retirada dos produtos já pagos na frente das lojas. 

Vendas irrisórias 

Ainda conforme Azuri, algumas cidades de Santa Catarina e Mato Grosso do Sul, por exemplo, reabriram parcelas do comércio mas não obtiveram resultados nas vendas. “As pessoas não estão indo às ruas comprar; você pode abrir gradativamente, mas com segurança. Manaus não tem essa possibilidade no momento”, completou. 

O presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Amazonas (Fecomércio), Aderson Frota, explicou que o setor de produtos ligados ao Dia das Mães, como confecções, calçados, eletrônicos, eletrodomésticos, entre outros, está parado. “Significa que esse Dia das Mães vai ficar muito aquém do que era a realidade, porque é a segunda maior data comercial após o Natal”, ponderou. 

Nos atendimentos reduzidos a seletivos e individualizados, como deliverys, Frota indicou que cada a cada dia se registra queda nos números gerais de vendas. “Desde o mês de março não temos estatísticas confiáveis, que possam retratar as reais perdas do setor comercial e de serviços. Tenho conversado com muitos empresários do segmento e estes estão apreensivos com os efeitos do fechamento de grande parte das atividades comerciais e de serviços”, disse à REVISTA CENARIUM

Sem pontos de equilíbrio, empresas perdem capacidade do custo operacional do próprio negócio, dificultando também acesso às linhas de crédito sob o risco de estarem negativadas com os fornecedores. “Quando quebra o equilíbrio, pode levar a falência, que beira o desemprego; temos que ter esperança e tranquilidade paratomas as decisões corretas. O desafio é saber quanto tempo a pandemia pode vitimar a economia”, completou. 

 Indústria 

Para o presidente do Centro das Indústrias do Amazonas (Cieam), Wilson Périco, o setor industrial também não terá resultados positivos com a data. “Nenhuma expectativa, mesmo porque o tempo de trânsito de produtos de Manaus para o Sudeste e Sul é de 13 a 15 dias”, explicou, levando em conta a diminuição das plantas de produção e da importação entre estados. 

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