Participe do nosso grupo no Whatsapp Participe do nosso grupo no Telegram
21 de outubro de 2021
Ainda não é assinante
Cenarium? Assine já!
ASSINE
image/svg+xml

Victória Sales – Da Cenarium

MANAUS – Um dia após o veto do presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), na distribuição do produto para mulheres de baixa renda, os absorventes higiênicos sofreram uma alta de 1,42% em setembro, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nessa sexta-feira, 8. Em entrevista exclusiva à CENARIUM, especialistas ressaltam que o custo mais alto inviabiliza a aquisição, deixando este público cada vez mais distante de condições mínimas e dignidade à vida.

Segundo com a economista Denise Kassama, com preços variando a partir de R$ 5, o pacote, e, ainda mais, neste período sensível pelo qual a economia atravessa, o absorvente pode ser considerado um produto caro em face às dificuldades das famílias que sequer têm o que comer diariamente. “Uma entre quatro meninas e jovens de baixa renda deixam de ir à escola no período menstrual por falta de recursos para comprar absorventes, podendo gerar uma defasagem nos estudos, uma vez que podem perder até uma semana de aula por mês”, destacou.

A pobreza menstrual afeta 213 mil jovens brasileiros. (Ricardo Oliveira/ Cenarium)

Denise destaca ainda que, atualmente, são 27 milhões de brasileiros que vivem abaixo da linha da pobreza. Para este público, qualquer aumento em itens de 1ª necessidade pode comprometer sua aquisição.

De acordo com a universitária Paola Xavier, de 26 anos, ficou bem claro que não existe nenhum interesse da parte do presidente de gestar para a população. “Quem acaba sofrendo mais com isso são justamente os grupos que mais precisam e geralmente esses grupos são carentes de instrução. Outra coisa que a gente precisa relembrar é que o atual presidente nem partido tem, e isso já é uma vergonha para o País que passa uma imagem de desordem”, destacou.

Paola conta ainda que o impacto se dá quando são garotas em que a família está vulnerável financeiramente e não tem condições de comprar o básico e absorvente se torna um item de luxo. “E por causa disso, muitas dessas meninas acabam faltando a escola, perdendo aula e prejudica ainda mais o seu rendimento escolar”, declarou.

Projeto

Logo após o veto, a jornalista Nauzila Campos decidiu criar uma campanha de arrecadação de absorventes e cestas básicas para distribuir entre mulheres de baixa renda em Manaus. “Basta ser mulher, ter sororidade e empatia. A pobreza menstrual é uma realidade de todo o Brasil e em Manaus não é diferente. Se não dá para contar com o presidente, arregacemos nós as mangas umas pelas outras”, explicou Nauzila.

A jornalista conta ainda que as arrecadações ainda continuam e, até o terceiro dia, foram arrecadados R$ 700, e destacou que a distribuição do produto vai acontecer no dia 16 de outubro. “Estamos fazendo um mapeamento dos locais de Manaus, onde há mais necessidade. Podem doar à vontade, sem pressa. Vamos checar com as escolas públicas de periferia essas necessidades das alunas. Professores conhecem bem essa realidade. O mapeamento deve ser a partir daí”, destacou.

“As mulheres quando se unem nunca estão sozinhas. Toda mulher é forte. Mas, por trás de uma mulher forte, tem outra que também faz a diferença. Então, estou apenas fazendo meu papel como mulher que sequer imagina a realidade de alguém que não tem dinheiro para a necessidade básica que é comprar um absorvente. Precisamos nos mover com urgência”, ressaltou Nauzila.

Estudos

A pobreza menstrual afeta 213 mil jovens brasileiros, segundo Pesquisa Nacional da Saúde Escola (Pense), que revelou a falta de acesso aos produtos de higiene básica no período menstrual. No Amazonas, o programa “Dignidade Menstrual”, sancionado pela Lei Estadual n° 5.550, de 28 de julho de 2021, garante que meninas e mulheres recebam de forma gratuita absorventes para assegurar a proteção durante o ciclo menstrual. O item foi classificado como “bem essencial e produto de higiene básica” no Estado e será destinado às estudantes das escolas a partir do ensino fundamental da rede pública.