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16 de setembro de 2021
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Suzy Figueiredo – Da Cenarium

MANAUS – O Congresso da União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (UICN), realizado em Marselha, na França, aprovou a moção 129 – um chamado global dos povos indígenas que reivindica a proteção de 80% da maior floresta tropical do mundo – Amazônia – até 2025.

O diretor da World Class Solutions (WCS Brasil), Carlos Durigan, diz que a moção é um grande passo tomado pelos indígenas em defesa do planeta. “Com ênfase sobre a Amazônia, uma moção importante foi aprovada, de se atuar conjuntamente pela proteção de 80% do território de todo o Bioma, fortalecendo os processos de reconhecimento dos territórios indígenas e ainda desenvolvendo ações voltadas a buscar alternativas para um desenvolvimento realmente de bases sustentáveis”, ressaltou Durigan.

Para o coordenador-geral da Coordenadoria das Organizações Indígenas da Bacia Amazônica (Coica), José Gregório Díaz, a ação urgente da especificidade e diversidade dos ecossistemas e daqueles que os habitam era necessária. “Caso contrário, a inércia da política global refletida nas políticas nacionais nos leva a um cenário apocalíptico”, disse Díaz.

O ambientalista Carlos Durigan (Ricardo Oliveira/Revista Cenarium)

Temáticas

O Congresso para a Conservação da Natureza ampliou as discussões para outras situações de relevância socioambiental do Brasil: desmatamento, queimadas, perseguição e desrespeito aos povos indígenas e comunidades quilombolas e tradições; e ainda perseguição e assassinatos de lideranças e ambientalistas.

Considerado o encontro internacional mais importante, onde são discutidas medidas para a preservação ambiental, o Congresso da Natureza ocorre de quatro em quatro anos, porém, não foi possível a realização em 2020 devido ao período pandêmico. Este ano, o encontro aconteceu de forma híbrida com a reunião de membros e interessados de todo o mundo. No Brasil, são 26 membros atuantes nas ações contra os impactos socioambientais.

“Do ponto de vista Global, referendou-se a necessidade de urgência de ações para a contenção da degradação socioambiental que têm levado a este cenário de mudança climática global, agravado pela situação pandêmica da Covid-19, e ainda potenciais novas ameaças futuras à saúde do planeta e dos seres vivos”, explicou Carlos Durigan.

Desmatamento Importado

Em discurso proferido na cerimônia de abertura do Congresso, o presidente da França, Emmanuel Macron, enfatizou a determinação de Paris em encerrar o chamado desmatamento importado, ou seja, se refere à compra de produtos agrícolas, que acaba gerando devastação no país responsável pela produção e exportação.

Macron é um apoiador da causa ambiental (Lionel Bonaventure/EPA/Agência Lusa)

“A França foi um dos primeiros países a propor uma estratégia de combate ao desmatamento importado. Ela se tornou lei e queremos acelerar para que, em nível europeu, tenhamos uma estratégia clara e forte contra o desmatamento importado. Isso significa não comprar mais soja ou proteínas quando elas levam ao desmatamento, especialmente na Amazônia”, concluiu Macron.

Macron informou que não acolherá o acordo firmado entre a União Europeia e o Mercosul – que visa extinguir as taxas das importações do Brasil, que compreendem basicamente matérias-primas de procedência duvidosa arguidas pelos europeus e também pelas multinacionais. Outro questionamento feito pelo presidente Francês consiste na insistência pela soberania proteica da França.