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25 de setembro de 2021
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Bruno Pacheco – Da Cenarium

MANAUS – A chegada de uma massa de ar frio, nesta semana, à região Norte, que pode fazer com que a temperatura caia cerca de 6ºC a 8ºC no Amazonas, segundo previsão do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), é considerado um ‘fenômeno raro’, que gerou alerta entre autoridades e preocupação entre especialistas, por conta da massa de ar frio ter possibilidade de chegar com intensidade em comunidades ribeirinhas do interior do Estado.

“As friagens são fenômenos raros na Amazônia Central, mas acontecem quando frentes frias polares mais intensas chegam ao Brasil em meses de inverno. O monitoramento feito por instituições que estudam e monitoram o clima detectaram esta massa polar mais intensa que o normal, assim a sua chegada tem sido aguardada com preocupação”, destacou o ambientalista mestre em Ecologia, Carlos Durigan, da Wildlife Conservation Society (WCS) Brasil.

A friagem está prevista para chegar ao Amazonas na próxima quinta-feira, 29, e permanecer até o próximo sábado, 1º, provocada pela massa de ar frio que deve atingir as regiões Sul, Sudeste Centro-Oeste e Norte do Brasil. Em nota, o Governo do Amazonas comunicou a população sobre o frio e disse que as calhas do Juruá, Purus, Madeira, Alto Solimões, Médio Solimões, Baixo Solimões e Rio Negro devem ser mais afetadas.

Além disso, o governo disse que divulgou as informações sobre o declínio de temperatura para que haja conhecimento e preparação por parte da população, principalmente, daqueles que moram em áreas rurais e ribeirinhas que poderão ser atingidas.

Frio intenso

O ambientalista Carlos Durigan lembra que temperaturas abaixo de 15ºC já foram registradas no Amazonas pela chegada de friagens, mas são raras de acontecer. Segundo ele, geralmente, o interior do Estado costuma sentir mais o frio, por conta do clima que costuma ser quente e úmido em boa época do ano, com temperaturas acima dos 30ºC.

“Em geral, as frentes frias que chegam do polo Sul nesta época se locomovem em direção ao norte/noroeste pelo centro da América do Sul e, quando muito intensas, atingem latitudes menores e tendem a se locomover para noroeste, daí atingirem com maior intensidade Estados do oeste amazônico como Rondônia e Acre e, ainda, parte do Amazonas”, destaca.

Para Durigan, eventos climáticos como o da frente fria têm ocorrido com maior frequência em todo o mundo e podem estar associados à mudança climática global.

“Temos testemunhado ocorrência de extremos climáticos com maior frequência no planeta todo. Esses eventos cada vez mais frequentes podem estar associados à mudança no clima global, como demonstram estudos promovidos pelo IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas)”, concluiu.

Neve

Nesta segunda-feira, 26, o Inmet alertou ainda que persiste a chance, entre os dias 28 e 29 deste mês, de mais um evento de queda de neve nas Serras Gaúcha e Catarinense, em Santa Catarina. O órgão não descarta a possibilidade de chuva congelada e ou neve na serra do Sudeste no Rio Grande do Sul.

“A persistência de dias consecutivos com temperaturas mínimas negativas nas áreas de maior altitude da região Sul (entre -6°C e -8°C) e temperaturas máximas abaixo de 10°C entre os dias 28 e 31/07, continua sendo o grande diferencial dessa massa de ar frio”, pontua o Inmet.

Conforme o instituto de meteorologia, os dias mais críticos em termos de menores temperaturas, mínimas e máximas para o Sudeste, serão os dias 29 e 30, com mínimas entre -2°C e -5°C na Serra da Mantiqueira, divisa entre São Paulo e Minas Gerais, e máximas abaixo de 15°C em parte da região, especialmente nas regiões metropolitanas de São Paulo e Belo Horizonte; também são previstas temperaturas negativas no sul do Mato Grosso do Sul e no sudeste de São Paulo.