‘Constrangimento’, diz vice-governador do Amazonas após depor na PF sobre fraude na Saúde

Gabriel Abreu – Da Revista Cenarium

MANAUS – Um dia após a Polícia Federal (PF) cumprir mandados de busca e apreensão no gabinete, casa e escritório ligado ao vice-governador do Amazonas, Carlos Almeida (sem partido), se manifestou por meio de nota enviada à imprensa nesta sexta-feira, 9, sobre a segunda fase da Operação Sangria. Almeida afirma em um dos trechos da nota que “não praticou qualquer conduta ilícita”.

De acordo com as investigações da PF, Dayana Mejia e Rodrigo Tobias, ex-dirigentes da então Secretaria de Saúde do Amazonas (Susam) se reportavam, frequentemente, ao vice-governador para tratar de contratos milionários firmados pela pasta, inclusive sobre pagamentos e que Carlos Almeida tinha grande influência na gestão da Secretaria de Saúde, pasta na qual chegou a comandar nos três primeiros meses de governo.

Em sua defesa, Carlos Almeida afirmou que “como pessoa pública, tenho ciência do enorme grau de exposição pessoal a que me submeto por conta de meu ora ofício político, portanto compreendo, apesar de pessoalmente constrangedor, os ônus que tal acarreta”, diz trecho da nota

Em outro momento, Almeida conta que esteve presente na sede da Polícia Federal do Amazonas para prestar depoimento e reafirmou que não praticou qualquer conduta ilícita, motivo pelo qual fez questão de esclarecê-las, de pronto e de forma voluntária, na sede da Polícia Federal.

“Ressalto que, apesar do constrangimento e do dano à imagem, entendo o contexto das medidas de busca, razão pela qual colaborei com o procedimento, e desde então, me dispus à contribuição com a Justiça”, finaliza nota.

Presos

Após prestarem depoimento ao longo da manhã de quinta-feira, 8, na sede da PF, os cinco presos temporários da segunda fase da Operação Sangria realizaram exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal (IML) e nenhum dos envolvidos falou com a imprensa.

Foram presos temporariamente Rodrigo Tobias, ex-secretário de Saúde; Dayana Mejia, ex-secretária de assistência da antiga Susam; o médico Ronald Caldas Santos e os empresários Luiz Carlos Avelino Júnior, marido da ex-secretária de Comunicação Daniela Assayag e Gutemberg Alencar.

A segunda fase da operação teve o intuito de aprofundar a apuração sobre uma organização instalada no Governo do Amazonas com o objetivo de desviar recursos públicos destinados a atender necessidades da pandemia de Covid-19 no Estado. Os investigados são suspeitos de práticas como peculato, lavagem de dinheiro e também de promover a dispensa de licitação fora das hipóteses previstas em lei. Se condenados, podem cumprir até 30 anos de prisão.

Confira a nota na íntegra:

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