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16 de novembro de 2021
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Com informações do MCTI

O Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) saiu da COP26 com uma notícia concreta, vinda do governo britânico. O investimento de 2,5 milhões de libras (em torno de R$ 19 milhões) para a segunda fase do projeto AmazonFACE foi confirmado durante o evento que terminou na sexta-feira (12). A pesquisa inédita em florestas tropicais conta com apoio do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI) e com a colaboração entre o Met Office, serviço nacional de meteorologia do Reino Unido, e o Inpa – em parceria com a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). O AmazonFACE será o maior laboratório ao ar livre do mundo e ajudará a entender como a Floresta Amazônica poderá responder às mudanças climáticas previstas para os próximos anos.

O secretário de Pesquisa e Formação Científica do MCTI, Marcelo Morales, participou do evento e destacou que o Brasil “tem uma relação muito longa e especial de colaboração com o Reino Unido”. O apoio político, institucional e científico do MCTI ao projeto foi decisivo para a liberação do investimento britânico na segunda fase do projeto, que prevê também a construção da infraestrutura em meio à floresta. Além disso, o Conselho Diretor do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) tem em seu plano de investimentos suporte aprovado para o AmazonFACE.

Morales afirmou que, recentemente, o MCTI aprovou verba no âmbito do FNDCT para a instalação de um laboratório do projeto Salas (Sistema Amazônico de Laboratórios Satélite) na área do AmazonFACE. O projeto prevê a construção de 50 laboratórios na região Amazônica, sendo que três já foram entregues, com o objetivo de melhorar o suporte à pesquisa na região, em especial para conhecer o potencial biotecnológico e induzir o desenvolvimento de cadeias produtivas baseadas em biodiversidade. O secretário também mencionou o projeto Torre ATTO, cujos resultados permitem reduzir as incertezas dos modelos climáticos globais, como um importante projeto científico tecnológico. “Estamos entusiasmados com a colaboração e vamos trabalhar neste projeto como prioridade”, finalizou.

Para o diretor-geral das Américas do Ministério das Relações Exteriores e de Desenvolvimento do Governo Britânico e ex-embaixador do Reino Unido no Brasil, Vijay Rangarajan, o AmazonFACE é um projeto empolgante e um grande exemplo da relação científica entre Brasil e Reino Unido. “O FACE é um exemplo do nosso trabalho conjunto em florestas e mudanças climáticas, que é um dos grandes desafios dos últimos tempos”, afirmou Rangarajan. “Acredito que no futuro ele será exemplo da colaboração científica entre nossos países e espero que seja um grande exemplo de como vamos combater as mudanças climáticas no futuro”, finalizou.

As florestas desempenham um papel fundamental no ciclo global de carbono e no equilíbrio energético do planeta, com o desmatamento sendo responsável por cerca de 10% das emissões globais de CO2. Sua importância foi ressaltada por um recente compromisso internacional de mais de 100 líderes para acabar com o desmatamento até 2030.

“A Amazônia está fornecendo um serviço ecossistêmico-chave para a humanidade, mas nós não sabemos quanto tempo isso vai durar”, disse David Lapola, pesquisador da Universidade de Campinas (Unicamp) e coordenador científico do AmazonFACE.

“Nós vamos construir um laboratório a céu aberto, para imitar as condições atmosféricas do futuro e estudar o que as árvores farão diante dessas condições”, completou o pesquisador do Inpa e coordenador do AmazonFACE, Carlos Alberto Quesada.

Quando tiver totalmente implantado, o AmazonFACE vai simular as condições atmosféricas previstas para 2050. Foto: Divulgação/MCTI

O reflorestamento e o recrescimento têm o potencial de remover o carbono da atmosfera, compensando as emissões não-evitadas. No entanto, uma das grandes incógnitas científicas é como as mudanças climáticas podem influenciar o papel das florestas no ecossistema. O AmazonFACE funcionará como uma máquina do tempo, criando artificialmente as condições atmosféricas projetadas para 2050, para que os pesquisadores possam analisar como as florestas tropicais responderam ao aumento das concentrações atmosféricas de dióxido de carbono.

Conheça melhor o projeto AmazonFACE: https://bit.ly/AmazonFACE_EN