Participe do nosso grupo no Whatsapp Participe do nosso grupo no Telegram
25 de janeiro de 2022
Ainda não é assinante
Cenarium? Assine já!
ASSINE
Marcela Leiros – Da Revista Cenarium

MANAUS – As articulações políticas de pré-candidatos ao Governo do Amazonas não poupam nem mesmo os benefícios estaduais concedidos a 10 mil policiais militares da ativa no Estado. “Isso é errado. Se esses benefícios seguirem sem a nossa inclusão, vamos à Justiça até que os direitos sejam igualados”, disse o coronel da reserva Walter Cruz à CENARIUM, ao justificar o interesse em pedir a suspensão dos benefícios anunciados aos PMs da ativa na última sexta-feira, 3.

Neste domingo, 5, informações veiculadas pelo site “O Poder” indicaram que Walter Cruz e Amadeu Soares se articulam contra os benefícios anunciados pelo governador Wilson Lima (PSC). Segundo o site, os dois trabalham diretamente com o ex-governador Amazonino Mendes. No entanto, Walter Cruz informou à CENARIUM que não está trabalhando com o ex-governador. “O objetivo da reunião é discutir a equiparidade dos benefícios concedidos aos policiais militares que estão na ativa. Nós, que estamos na reserva, precisamos ser incluídos nessa lista de PMs que serão beneficiados. É injusto, pois imagine um coronel ganhar menos que alguém com patente inferior. Isso é errado. Se esses benefícios seguirem sem a nossa inclusão, vamos à Justiça”, disse Walter Cruz.

Segundo o site “O Poder”, a fonte, que preferiu não se identificar, informou que em uma reunião na manhã desse sábado, 4, a ideia discutida foi a de fomentar um “motim” entre doze coronéis da reserva que estão insatisfeitos para pressionar tanto o comando da PM-AM quanto o Governo do Amazonas a conceder benefícios, também, para eles. “Até que o grupo de oficiais aposentados seja também contemplado, eles estão dispostos a prejudicar as quase 10 mil famílias de PMs e bombeiros em atividade”, revelou a fonte, segundo o site local.

Leia também: Governo do AM encaminha à Aleam projetos de lei que valorizam forças de segurança

Os dois coronéis ocuparam cargos de confiança nos governos de Amazonino. Amadeu Soares já foi titular da Secretaria de Segurança Pública (SSP-AM), onde também já atuou como secretário extraordinário. Também de acordo com a fonte, os oficiais estão dispostos a fazer “o que for necessário” e avaliam uma ação judicial para impedir, inclusive, que o aumento e as melhorias nas gratificações já anunciados sejam pagos aos PMs da ativa em janeiro de 2022.

Ainda segundo a fonte, em determinado momento da reunião foi percebido que o pedido do grupo ia além dos benefícios salariais. “Você via claramente que eles veem nisso uma possibilidade de atrapalhar o atual governo. Se a tropa não receber o aumento em janeiro, o Wilson (Lima) fica mal com a gente e é ganho político para eles”, explicou.

A CENARIUM tentou contato com o coronel Amadeu, que também participou da reunião, segundo Walter Cruz, mas, até a publicação desta matéria, os telefonemas não foram atendidos e as mensagens enviadas pelo aplicativo WhatsApp foram ignoradas. A reportagem também aguarda um posicionamento do ex-governador Amazonino Mendes sobre as tratativas ocorridas na reunião.

Benefícios em xeque

Na sexta-feira, 3, o governador do Amazonas, Wilson Lima, apresentou um conjunto de propostas de modernização e valorização profissional de policiais militares e bombeiros do Estado. As leis equiparam a previdência das categorias a das Forças Armadas, modificam regras de trabalho extra e criam gratificação salarial para militares que concluírem cursos de especialização, mestrado e doutorado.

Com a proposta do governo estadual, policiais militares e bombeiros passam a contar com uma Gratificação de Curso (GC), incorporada ao salário do servidor após sua finalização. As gratificações serão de 25% para especialização, 30% mestrado e 35% para doutorado. Com isso, um soldado, por exemplo, poderá contar com gratificação de R$ 1.207,86, caso faça especialização, e um coronel, de R$ 7.792,61, ao concluir doutorado.

O governo amazonense também reformulou o regime de pagamento de trabalho extra. A Gratificação de Trabalho Extra (GTE) se transforma em Serviço Extra Gratificado (SEG), que passa a ser de R$ 40 por hora. Com isso, um soldado que ganha GTE de R$ 910 por mês terá a possibilidade de receber até R$ 1.920 pelas mesmas horas trabalhadas.

Entre os benefícios do novo regulamento previsto na Lei nº 13.954, de 16 de dezembro de 2019, destacam-se maior seguridade social, além de paridade e integralidade em casos de pensionistas. Atualmente, a pensão corresponde a um percentual da remuneração do militar. Com a mudança, o valor corresponderá à remuneração integral.