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21 de novembro de 2021
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Com informações da Assessoria

MANAUS – O corpo de dança “Fora das Sombras – Visibilidade Preta” lança hoje, 20 de novembro, Dia da Consciência Negra, dois vídeos de dança em exaltação à presença negra na Amazônia. Os vídeos serão exibidos no Instagram @foradassombras. O projeto é resultado da Lei Aldir Blanc – prêmio Feliciano Lana na categoria afro-brasileira. A captação e edição do material é da produtora Alien Filmes. A direção artística do projeto é de Ana Luiza Carneiro.

De acordo com a produtora Ana Luiza Carneiro, o projeto chega em um momento oportuno já que, cada vez mais, se discute a presença negra na construção do Brasil e, principalmente: seu papel de existência e resistência na Amazônia brasileira. “Hoje, observo que existe um Brasil que se redescobre negro e uma Amazônia que começa a aceitar que suas terras e rios abrigaram e abrigam também o povo preto”, observou.

Ainda de acordo com Ana Luiza, outros fatores colocam a negritude ainda mais no centro das discussões. “O País vive um intenso debate e muitas ações afirmativas vêm reposicionando o povo negro na sociedade brasileira. O orgulho da pele, da cor, do cabelo e da cultura estão mais fortes e presentes na comunidade negra. Vejo isso nas ruas, na TV e na internet”, destacou.

Corpo de dança “Fora das Sombras – Visibilidade Preta” (Reprodução/@foradassombras)

Inquietação

O projeto “Fora das Sombras – Visibilidade Preta” nasceu da inquietação e de uma certa dose de indignação de Ana Luiza Carneiro quanto à sua origem amazônida. Ana é natural de Manaus e atua profissionalmente na dança. Militante da cultura popular, ela foi linha de frente do carnaval amazonense na Escola de Samba Reino Unido da Liberdade. Atualmente, reside no Rio de Janeiro, onde foi em busca de especialização em dança.

“Todas as vezes que fui apresentada a uma pessoa, a pergunta vinha na sequência: ‘Você é de que lugar?’ Eu não entendia e respondia: ‘Ué? Sou amazonense de Manaus'”, relembrou Ana Luiza. “Claro que a pessoa não se convencia e retrucava: ‘Achei que você era carioca ou baiana’. Essas colocações passaram a me incomodar com o tempo e a me fazer questionar o porquê dessa não aceitação”, afirmou Ana Luiza.

O questionamento levou a profissional de dança a iniciar uma luta pela visibilidade preta no Amazonas. “Por isso, criei o ‘Fora das Sombras’, para mostrar que existimos e somos muitos em Manaus e nas demais cidades que compõem o mapa humano do Estado”, explicou Ana. “Me recuso a aceitar que nossa história e nossa ancestralidade sejam escondidas e caladas pelo racismo estrutural que, infelizmente, nasceu com o Brasil escravocrata e violento”, desabafou Luiza.

Corpo de dança “Fora das Sombras – Visibilidade Preta” (Reprodução/@foradassombras)

O vídeo

As gravações foram feitas na Cachoeira da Marmota em Balbina, representando a formação do Quilombo do Tambor, no Rio Pauini, que ficou conhecido como Rio dos Pretos, na região de Novo Airão. A comunidade quilombola do Tambor, segundo relatos de seus moradores, está presente na região desde 1907, quando os primeiros ex-escravizados, saídos de Sergipe se instalaram na região plantando banana, vivendo da caça, pesca e do extrativismo do cipó e da copaíba.

Outras cenas, foram gravadas no Largo São Sebastião, no Centro de Manaus, em um dia bem movimentado, mostrando toda força, atitude e poder dos personagens que descendem desse povo e se mostram em cores e estampas étnicas, com uma dança moderna e que, ao mesmo tempo, enaltece a ancestralidade.
“Estamos dando o recado para a sociedade amazonense de que estamos e somos daqui também!”, finalizou Ana Luiza Carneiro.

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