6 de março de 2021

Bruno Pacheco – Da Revista Cenarium

MANAUS – Em meio aos impactos na economia devido à pandemia do novo Coronavírus, que provoca a Covid-19, artesãs e costureiras amazonenses viram o momento oportuno para faturar com a produção de máscaras de tecido. A confecção do produto virou a renda extra milhares de trabalhadores.

A professora Antonieth Maciel, 54, que mora no município de Itacoatiara, a 270 quilômetros da capital, resolveu usar a aptidão de artesã para se dedicar à produção de máscaras com materiais recicláveis para decoração. Ela conta que começou a produzir o material no final do mês de fevereiro, quando começou a repercussão do vírus no estado e as máscaras de proteção estavam em falta nas farmácias.

Professora Antonieth Maciel (Arquivo pessoal/Reprodução)

Desde então, a artesã afirma que já faturou entre R$ 1,5 mil a R$ 2 mil, por mês, com a venda das máscaras de tecido no valor de R$ 5, a unidade.

“Tive o faturamento redobrado. As máscaras são produzidas na máquina de costura com todos os meios de cuidados e prevenção com os tecidos. Todas são feitas com duplo tecido. O material é lavado, passado antes e pós-produção para ser embalado”, disse.

A costureira detalha que conta com a ajuda da filha e da irmã na produção e entrega das máscaras. O material utilizado para confecção é o tricoline e 100% algodão.

“Os clientes fazem a retirada na frente da minha casa, onde os recebo de máscara e uso luva para ter contato com o dinheiro, assim como disponibilizo álcool em gel para os mesmos. A máscara pode ser reutilizável, lavando em água e sabão, passando depois de secar para ser utilizada novamente”, explica.

A artesã Doralice Cruz, 51, moradora de Manaus e que também trabalha com material reciclável, explicou que a costura é preciso ser feita com dedicação e amor, principalmente quanto às máscaras, por se tratarem de um equipamento essencial para proteção essencial.

“Comecei a produzir as máscaras para a doação no começo do mês de março, mas devido a alta procura, revolvi vender. Utilizo os tecidos TNT grosso com tricolin e faço entregas pelo bairro onde moro”, comentou Doralice, que já faturou em torno de R$ 500 com as vendas.

Lúcia Guimarães, 48, artesã e costureira, destaca que tem conseguindo pagar suas contas, como a luz e água somente com a venda das máscaras.

“Comecei a trabalhar com a produção das máscaras no começo de março e já faturei cerca de R$ 600. As pessoas compram de três a quatro unidades e as vendas têm crescido a cada momento. Com ajuda da minha família, vou conseguindo vender”, pontou.

Proposta de convênios

Em sessão extraordinária na Assembleia Legislativa do Amazonas na última quarta-feira, 15, o deputado estadual Sinésio Campos (PT) apresentou um requerimento cobrando o governo do Estado e as prefeituras para que sejam firmados convênios com associações e costureiras para a confecção de máscaras de tecido e aventais, para que possam ser distribuídas à população e profissionais da saúde de forma gratuitamente.

Segundo o parlamentar, da mesma forma em que acontece no período de eventos culturais quando se faz a distribuição de preservativos, agora é o momento do mesmo acontecer com a distribuição de máscaras, luvas e aventais

“As prefeituras e o governo do Estado devem investir de forma massiva. Existem empresas do Polo Industrial (de Manaus) que podem estar fazendo essa confecção e por que não fazem? A proposta visa auxiliar no combate ao coronavírus e o o momento é de união e a prevenção é o melhor momento”, enfatizou.