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22 de outubro de 2021
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Via Brasília – Da Revista Cenarium

Por que te calas?

O que pode significar o silêncio de um presidente da República 96 horas após ser acusado de prevaricação? Pelo Código Penal brasileiro, o crime ocorre quando um funcionário público “retarda ou deixa de praticar, indevidamente, ato de ofício, ou praticá-lo contra disposição expressa de lei, para satisfazer interesse ou sentimento pessoal”. Pois já faz quatro dias que os irmãos Miranda acusaram, na CPI da Covid, Jair Bolsonaro de ter sido alertado sobre um esquema ilegal na compra da vacina indiana Covaxin, e de nada ter feito. As leituras do silêncio presidencial por lideranças políticas independentes e de oposição não divergem muito. Todas convergem ao medo.

Líder no “rolo”

O fato de que não teria mandado investigar as denúncias e de nem vir a público para defender a si e ao líder de seu governo na Câmara, o deputado federal Ricardo Barros (PP-PR) suscita no meio político o temor de Bolsonaro de que o deputado Luís Miranda teria alguma carta na manga, uma gravação que o incriminasse. Barros nega ter participado de qualquer negociação em relação à compra das vacinas Covaxin e segue liderando o governo como se nada houvesse. Mas a estratégia de manter-se calado poderá cair por terra, caso o STF acate pedido dos senadores para que Bolsonaro responda, em 48 horas, se mencionou mesmo Barros no “rolo” da Covaxin.

Tal e qual

No mesmo roteiro do ex-presidente Lula, acerca dos escândalos de corrupção em seu governo, Bolsonaro afirmou que “não tem como saber de tudo que se passa nos ministérios”. Mas o que chama a atenção é o fato de o presidente parecer poupar seu acusador, o deputado Luís Miranda. Até as emas do Planalto sabem que Bolsonaro não costuma economizar artilharia contra seus desafetos. No âmbito judicial, analistas avaliam que no SFT o pedido de investigação do presidente não deve ir muito longe já que cabe ao procurador-geral Augusto Aras formular a denúncia. Mas o líder do governo no Senado, Fernando Bezerra, já adiantou qual deverá ser a linha de defesa: jogar no colo do ex-ministro Eduardo Pazuello o “rolo” da vacina indiana.