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26 de janeiro de 2022
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Luís Henrique Oliveira – Da Revista Cenarium

MANAUS – Tem sido alarmante o número de novos contaminados por Covid-19 diariamente no Amazonas. Para se ter uma ideia, na última quinta-feira, 7, a Fundação de Vigilância em Saúde do Estado (FVS) informou que mais de mil casos foram confirmados em apenas 24 horas, elevando o total para 10.099, além do número de mortes que subiu para 806. No entanto, à medida que se confirmam novos casos de Covid-19 no maior estado do País, se aumenta a preocupação com os povos indígenas que aqui habitam.

Para se ter uma ideia, por meio de nota, a Associação de Índios Kokamas Residentes no Município de Manaus (Akim) informou que a Covid-19 “já matou 12 parentes Kokamas, parentes esses que moram em comunidades. Como não dizer que foi omissão? Nós, líderes, estamos fazendo a nossa parte. Esperamos que nossos governantes façam a parte deles”, denunciou a Akim.

Segundo dados da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), em quatro dias dobraram as mortes entre os indígenas causadas por complicações decorrentes do novo Coronavírus, entre 3 e 7 de maio, o número de óbitos subiu de 9 para 22. O povo Kokama foi o primeiro caso registrado de Covid-19 entre indígenas no Brasil, no dia 25 de março, o que demonstra o alto grau de letalidade da doença em um único povo, segundo a Apib.

Em recente entrevista à BBC Brasil, o prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto deixou claro o problema enfrentado com a subnotificação de casos de Covid-19 no Brasil e, sobretudo, em nosso Amazonas.

“Não temos a noção exata do tamanho do inimigo que enfrentamos, e isso dificulta o dimensionamento da ajuda necessária. Meu posicionamento sobre o Lockdown é que deve ter ampla regulação, tendo em vista que a população não aderiu ao isolamento social, sem dúvida, o caminho mais eficaz contra a propagação do vírus. Mas é preciso apoio total da população, para não gerar novos problemas e agravar, ainda mais, a crise que enfrentamos”, disse.

De acordo com dados da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), no Amazonas, os casos de mortes entre o povo Kokama aconteceram nos municípios de Tabatinga, Benjamin Constant, Santo Antônio do Içá, Itacoatiara, Autazes e Manaus. Além do povo Kokama, o Amazonas, possui 43 indígenas mortos por Covid-19 de nove povos diferentes.

Casos nacionais

No último levantamento feito pela Apib, nesta quinta-feira, 7, 55 indígenas morreram e 223 “parentes” estão com testes confirmados, atingindo 30 povos nas regiões Norte, Nordeste, Sul e Sudeste.

Nesta sexta, 8, uma Assembleia Nacional de Resistência Indígena deve começar a desenvolver um novo plano de enfrentamento específico à pandemia.