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18 de janeiro de 2022
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Luciana Bezerra – Da Revista Cenarium

MANAUS – A pandemia do novo Coronavírus chegou nas comunidades indígenas no Brasil de forma avassaladora e, desde então, vem dizimando milhares de vidas indígenas em um ritmo crescente. Para frear a propagação do vírus, a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) apresentou um plano emergencial para o enfrentamento da Covid-19 nessas comunidades.

De acordo com o relatório divulgado pela Apib, neste domingo, 4, mais de 34 mil indígenas foram infectados pela Covid-19, sendo eles, oriundos de 158 povos indígenas e o número de óbitos pela doença chega a 837, em território nacional.

Na Amazônia Legal, conforme levantamento da Coordenação das Organizações Indígenas do Amazônia Brasileira (Coiab), já são mais de 25 mil indígenas atingidos pela doença e cerca de 670 mortes registradas. Os dados são de um relatório divulgado na quinta-feira passada pela Instituição.

Os dados são referentes à Covid-19 na Amazônia Legal (Arte: Samuelknf/ Revista Cenarium)

O estudo da Coiab aponta ainda o Amazonas com o maior número de casos confirmados pela Covid-19 entre os indígenas com cerca de 5.977 e 205 óbitos. Seguido do Pará com 5.395 casos confirmados e Roraima com 3.133 indígenas com Covid-19.

O relatório da Apib indica ainda o Governo Federal como ‘principal agente transmissor da doença entre os povos indígenas’, onde a Covid-19 chegou às aldeias por meio das equipes da Secretaria Especial de Saúde Indígena (SESAI) e do Exercito brasileiro, além de prestar atendimento diferenciado entre os indígenas que vivem em áreas urbanas e os que estão fora de territórios que não são homologados pela Sesai.

Em relação as aldeias indígenas do Mato Grosso do Sul, os dados do relatório apontam o índice de contágio da doença entre os povos indígenas, ao agronegócio e cita como exemplo, a Reserva Indígena de Dourados — onde a primeira morte foi registrada por um Guarani Kaiowá — a doença foi transmitida por um funcionário da JBS S/A, segundo informações de um jornal local, o Repórter Brasil.

O mesmo, diz o estudo, acontece no oeste do Paraná, nas terras indígenas de Santa Catarina e no Rio Grande do Sul. Os primeiros casos infectados dentro desses territórios foram registrados entre os povos indígenas dos povos Kaingang e Guarani Mbya. Esses indivíduos eram funcionários do setor frigorífico local.

Primeiros casos

Vale lembrar, que primeiro caso confirmado de contaminação por Covid-19 entre indígenas brasileiros foi de uma jovem de 20 anos do povo Kokama, no dia 25 de março, no município amazonense de Santo Antônio do Içá (a 879 quilômetros de Manaus).

O contágio foi feito por um médico vindo de São Paulo a serviço da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), que estava infectado com o vírus. Atualmente, os Kokama são os mais afetados em casos de mortes.

Apelo à população

A Apib convida todos os brasileiros a apoiarem as medidas da entidade para que possam salvar vidas e exercitarem solidariedade. Já que os povos indígenas estão entre os grupos mais vulneráveis ao avanço da pandemia e encontram-se desprovidos de condições para enfrentar a doença.

De acordo com a Apib o plano de apoio às comunidades indígenas propõe fortalecer e potencializar ações de combate à Covid-19 nas aldeias indígenas em todo o território nacional. Além de institucionalizar as organizações indígenas vinculadas à entidade indígenas parceiras do movimento indígena brasileiro ou não.