23 de novembro de 2020

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Da Revista Cenarium*

MANAUS – Feridas formadas, geralmente, na região sacral (próximo ao cóccix) e nos calcâneos (calcanhar), as lesões por pressão (LP) têm sido um problema recorrente em pacientes com tempo prolongado de internação para o tratamento da Covid-19, e que precisam ficar deitados por dias a fio.

As alterações têm início com o processo de redução da circulação sanguínea e subsequente morte celular na pele, camada responsável por proteger os tecidos subjacentes do corpo humano, explica a enfermeira estomaterapeuta Karina Barros, presidente da Associação Segeam (Sustentabilidade, Empreendedorismo e Gestão em Saúde do Amazonas).

Ela explica que cerca de 60% das lesões, antes chamadas de úlceras por pressão, se desenvolvem na região pélvica ou abaixo dela e têm pelo menos cinco estágios, que vão da mudança na temperatura e textura da pele, até a perda total da mesma e posterior dano muscular e ósseo quando muito aprofundada.

Nesse último estágio, parte da estrutura muscular fica exposta e suscetível a bactérias e outros organismos nocivos à saúde. Além disso, quadros como esse acarretam fortes dores aos pacientes e podem levar a infecções graves se não tratados adequadamente com curativos, medicamentos e o acompanhamento periódico especializado.

Um sinal importante que pode indicar o aparecimento das lesões, alerta a especialista, é a vermelhidão na pele, derivada de processo inflamatório em estágio inicial. Ao atingir o osso, a lesão pode ocasionar infecções importantes e difíceis de tratar, com lenta recuperação.

Prevenção

Karina Barros destaca que algumas medidas podem ser adotadas para evitar esse tipo de dano. Entre elas, estão: mudança de posição dos pacientes por algumas vezes ao dia, aliviando a parte do corpo que sofre com a pressão, como as costas e nádegas – o ideal é que isso ocorra a cada duas horas; utilização de camas e colchões de enchimento alternado, ou, uso de colchão d’água (no caso de pacientes que precisam ficar acamados em casa, em fase de reabilitação, por exemplo) e colchão casca de ovo, que estimula a circulação; avaliação diária da pele para detectar eventuais alterações que possam evoluir para feridas; manter a pele sempre hidratada, entre outras.

Apesar de comuns em pacientes internados por tempo prolongado, as lesões por pressão acometem, também, pessoas com dificuldades de locomoção. Em especial, idosos. Por isso, recomenda-se a prática regular de exercícios de baixo impacto, como caminhadas, que estimulam a circulação sanguínea.

Tratamento

Além do uso de medicamentos (que pode incluir antibióticos), o tratamento envolve a limpeza das lesões com utilização de soro fisiológico em jato, evitar peso na região lesada, remoção de tecidos necrosados, uso de coberturas adequadas para cada estágio da lesão, e acompanhamento por enfermeiro, preferencialmente um estomaterapeuta.

(*) Com informações da assessoria

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