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25 de julho de 2021
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Marcela Leiros – Da Revista Cenarium

MANAUS – A agenda de depoimentos a serem ouvidos nesta semana, na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia, será aberta nesta terça-feira, 15, pelo ex-secretário de Saúde do Amazonas, Marcellus Campêlo. O depoimento de Campêlo acontece em meio ao cenário em que a Polícia Federal (PF) anunciou que o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello e o Exército foram informados com antecedência sobre a falta de oxigênio em Manaus, que ocorreu em janeiro deste ano.

Esse é um dos principais motivos pelo qual o ex-secretário foi convocado à CPI. O depoimento está marcado para iniciar às 9h (horário de Brasília), de forma semipresencial. Os requerimentos que pediram a convocação de Campêlo foram apresentados pelos senadores Marcos Rogério (DEM-RO) e Alessandro Vieira (Cidadania-SE).

O Estado entrou em colapso no início de 2021, com falta de leitos e de oxigênio medicinal nos hospitais que recebiam pacientes com Covid-19. A Polícia Federal também apura suposto desvio de dinheiro do combate à pandemia, a partir de uma organização criminosa que atuaria no Amazonas.

No dia seguinte ao depoimento de Campêlo será ouvido o ex-governador do Rio de Janeiro Wilson Witzel (PSC-RJ). Na quinta-feira, 17, quem depõe é o empresário Carlos Wizard.

Omissão

A PF revelou no último dia 8 de junho, por meio de inquéritos confidenciais voltados a investigações de crimes possivelmente cometidos pelo ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello, que tanto ele quanto o comando do Exército na Amazônia foram avisados formalmente sobre a “ameaça de esgotamento” de oxigênio em Manaus.

A descoberta se deu durante investigações da PF, em averiguação aberta determinada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). No documento, inclusive, consta o pedido de socorro realizado cinco dias antes da crise vivida pelos amazonenses em janeiro deste ano, porém sem resposta aos apelos de socorro. Em matéria publicada pela Folha de São Paulo consta que os ofícios foram enviados e assinados pelo governador do Amazonas, Wilson Lima (PSC).

Negação na CPI

Em maio, durante depoimento à CPI, o general Eduardo Pazuello negou ter qualquer responsabilidade direta no que diz respeito à crise do oxigênio em meio ao boom da Covid-19. Na ocasião, o senador Otto Alencar (PSD-BA) durante a Comissão Parlamentar de Inquérito alegou falta de consistências nas declarações de Pazzuello, quando ele assegurou que as autoridades locais não o alertaram com antecedência sobre o possível caos.

Ainda em depoimento, Pazuello afirmou que a falta de oxigênio no Amazonas durou apenas três dias, o que provocou revolta, principalmente entre os senadores Eduardo Braga (MDB-AM) e Omar Aziz (PSD-AM), presentes na CPI, que contrariaram o ex-ministro afirmando que a crise instalada no Estado durou cerca de 20 dias.

Ofícios

Nos dias 7 e 8 de janeiro, a empresa White Martins comunicou a Secretaria de Saúde do Amazonas sobre a proximidade de escassez do insumo que, por sua vez, enviou um e-mail ao então ministro da Saúde Eduardo Pazuello, assinado pelo então secretário de Saúde do Amazonas, Marcellus Campêlo.

No dia 9, o governador Wilson Lima mandou um ofício ao comandante militar da Amazônia, solicitando auxílio para o transporte de 36 tanques de oxigênio, em “caráter de urgência”, que também estariam disponíveis em Guarulhos, às 16h, de 10 de janeiro. Dois dias depois, o governo do Estado também solicitou auxílio para transporte de microusinas e geradores. Todo o transporte dos insumos foi feito de forma escalonada.

Exoneração

Marcellus Campêlo esteve à frente da Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM) até o dia 7 de junho. Ele mesmo pediu exoneração do cargo para “se dedicar também a provar sua inocência” na investigação da Polícia Federal que apura a reabertura do Hospital de Combate à Covid-19 da Nilton Lins, em 2021, e as acusações de superfaturamento no pagamento para uso do local como hospital de campanha na pandemia.

A pedido do governador, Marcellus Campêlo ainda permanece no governo como coordenador da Unidade Gestora de Projetos Especiais (UGPE), responsável pelo Programa Social e Ambiental dos Igarapés de Manaus (Prosamim), órgão no qual ele atua desde o início da atual gestão, em 2019.