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15 de junho de 2021
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Com informações do O Globo

SÃO PAULO – O desmatamento no Brasil aumentou 14% em 2020, ano em que o País perdeu 24 árvores por segundo, indicam dados novos do projeto MapBiomas. Pelo segundo ano seguido, a iniciativa divulga números de derrubada de vegetação nativa para todo território nacional, sugerindo que a taxa de ilegalidade nessas operações é extremamente alta.

Desde o ano passado, o programa de monitoramento do uso da terra liderado pelo engenheiro florestal Tasso Azevedo está produzindo alertas de desmate semelhantes aos que o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) produz para a Amazônia. O projeto independente, porém, recolhe dados também para todos os outros biomas do Brasil. Neste ano, a soma da área dos mais de 74 mil alertas emitidos pelo sistema foi de 13.853 km², contra 12.151 km² em 2019.

Para identificar se um desmate é ilegal, o MapBiomas realiza um cruzamento das áreas desmatadas com informações de outros bancos de dados, como o Cadastro Ambiental Rural (CAR), com o objetivo de estimar quanto da mata derrubada no País deveria implicar em infração penal. A taxa média de ilegalidade é altíssima e se refere a 99,8% da área total desmatada no País.

Essas são as as áreas de desmatamento que se sobrepõem a terras indígenas, unidades de conservação, áreas sob plano de manejo para extração sustentável de madeira ou estão em segmentos protegidos em terras particulares (reserva legal ou área de proteção permanente).

Com todas essas categorias fundiárias, um simples cruzamento de dados foi capaz de apontar indício de ilegalidade, afirma Azevedo.

“Em dois terços desses casos, a terra desmatada possui registro no sistema do Cadastro Ambiental Rural (CAR), e é possível identificar diretamente os responsáveis, mas o Ibama só autuou ou embargou terras em 2% dos casos”, diz o pesquisador.

“Hoje, com esse instrumento que a gente desenvolveu e com outros que já existem, não há limitação tecnológica de informatização e coleta de dados que impeça a fiscalização. Penalizar e agir, hoje, é uma questão de vontade política”, completa. “Mas a impunidade está imperando no Brasil. Ela é, de longe, o principal motor do crescimento do desmatamento, pois o proprietário de terra tem a sensação de que pode desmatar, que ninguém vai fazer nada, e, se fizer, depois será anistiado”, disse.