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17 de maio de 2021

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Priscilla Peixoto – Da Revista Cenarium

MANAUS – Com o objetivo de levar a arte do grafite para as comunidades ribeirinhas de Parintins, a 372 quilômetros de Manaus, o projeto intitulado “Arte Ribeira” tem levado, de forma inédita, cores e formas para a realidade dos moradores rurais do município.

A ação é uma iniciativa da dupla de grafiteiros Kemerson Freitas, de 24 anos, e Alzynei Pereira, de 25 anos, que assinam artisticamente cada grafismo com o nome de os “Curumiz’. As comunidades como Vila Amazônia e Bom Socorro do Zé Açu já podem contemplar um pouco da arte, traços e tons deixados pelos meninos parintinenses.

 De acordo o artista Kermerson, a vontade de levar o grafite para as comunidades sempre foi algo presente na carreira da dupla. “Emancipar e socializar a arte em torno dessas comunidades sempre foi nossa vontade. Mostrar que eles são a nossa principal referência e levar a imagem deles para um lugar é importante”, pontua o artista.

A dupla é artisticamente conhecida como os ‘Curumiz’ (Reprodução/ Victor Edition)

Aprovado

A casa do vigilante Emanuel Muniz, 63 anos, localizada às margens do lago do Zé Açu, região rural de Parintins, ganhou uma nova aparência, o colorido dos “Curumiz” trouxe mais alegria e arte ao cotidiano do lugar.

Uma das obras retratou a cultura da banana que durante anos foi a principal atividade econômica da região que integra o projeto de assentamento da Gleba de Vila Amazônia. Esse grafite mostra o rosto de uma menina com bananas ao redor de sua cabeça, além de reforçar a representatividade feminina da região.

“Eles fazem um trabalho maravilhoso e encantador. Com esse dom, eles incentivam os jovens de nossa comunidade, pois é arte que une o povo”, comenta Emanuel Muniz ao ver a fachada da casa ganhando um novo significado ao ostentar a arte dos jovens grafiteiros.  

Os grafiteiros pretendem levar a arte para mais comunidades ribeirinhas do Baixo Amazonas (Reprodução/ Felipe Pessoa)

Murais que contam história

Segundo Kemerson, as paredes grafitadas exibem mais que um simples desenho, carregam um pouco do simbolismo e história de cada local.  A menina representada na casa de seu Muniz é um claro exemplo deste simbolismo local.

Ele explica que cada fachada tem uma mensagem de acordo com a peculiaridade local. Na Vila Amazônia, por exemplo, a questão da migração japonesa e a importância dela na história de Parintins foi o tema escolhido pela dupla.

 O artista Alzynei Pereira revela que a brincadeira com a questão imagética auxilia na hora de sair da vertente comum. “A gente brinca com a questão imagética. Procuramos fugir do que os outros já faziam. Enquanto muitos romantizam o caboclo, nós o fazemos como ele é”, conta o jovem artista.

 O plano é uma iniciativa da dupla de grafiteiros Kemerson e Alzynei (Reprodução/Felipe Pessoa e Victor Edition)

Itinerário

Baseada na ideia do “Street Art”, os Curumiz afirmam que a socialização da arte de forma pioneira para os moradores do baixo Amazonas deve continuar.

A dupla pretende levar mais história e cor para, pelo menos, mais uma comunidade ribeirinha de Parintins que ainda não foi escolhida. “Esse trabalho é uma troca e faz com que a gente cresça cada vez mais. Nos ajuda a construir e disseminar essa nossa identidade única ao falarmos da nossa Amazônia e do homem amazônida também”, finalizou.

Edição: Paulo Bahia