28 de fevereiro de 2021

Com informações do UOL

MANAUS – “Topa roubar umas lojas hoje comigo?”, foi o que perguntei para o meu amigo assim que acordei naquela tarde de fevereiro de 2016, ainda de ressaca por causa da noite anterior. Nós dois usávamos uma arma emprestada e os assaltos já faziam parte da nossa rotina há três meses.

Ele só dirigia a moto e ficava me esperando para fugir: era eu quem descia com a arma e apontava para as pessoas, pegando o dinheiro e os objetos de valor. Geralmente escolhia como alvo as mulheres, porque sabia que os homens poderiam reagir e meu intuito nunca foi atirar. Eu nunca matei alguém. Sempre tive horror a matar.

Naquele dia, rodamos pela nossa cidade, em Araguaína (TO), e assaltamos entre 10 e 15 pessoas, na rua e no comércio. Eu achei que daria tudo certo, como sempre dava. Não tinha medo algum. Geralmente estimulada pela bebida e pelas drogas, achava que nada de mal poderia me acontecer. Porém, naquela ocasião as pessoas começaram a ligar para a polícia e nós dois fomos presos em flagrante.

Cadeia

Esta foi a primeira vez que eu fui para a cadeia. Antes, a Polícia Federal já tinha tomado meus pertences porque eu participava de um esquema de fraudes no seguro-desemprego. Recebia o dinheiro no nome de outras pessoas e ganhava muito com isso.

Quando eles entraram na minha casa, levaram tudo que eu tinha e aquilo me deixou muito brava. O caso estava sendo investigado pela Justiça, então não fui para a prisão imediatamente, mas fiquei sem o dinheiro. Por causa disso, comecei a roubar.

Eu tinha 20 anos, mas já bebia e usava drogas desde os 14. Ninguém entendia porque eu tinha entrado para aquela vida, já que tinha uma condição de vida boa: minha mãe era diretora de uma escola municipal e meu pai dono de uma marcenaria. Não me faltava nada, muito menos boa educação. Só que eu sempre tive uma personalidade muito rebelde e precisei cometer meus próprios erros para aprender o jeito certo de se viver.

Eu mesma ia atrás de descobrir as coisas: fui a primeira entre os meus amigos a experimentar drogas. Aos 15 anos engravidei pela primeira vez e, depois do nascimento, minha filha foi morar com a família paterna. Continuei usando maconha e cocaína e me envolvi cada vez mais com pessoas e situações erradas.

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