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15 de junho de 2021
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Com informações da assessoria

MANAUS – A Defensoria dativa do Tribunal de Justiça Desportiva do Amazonas (TJD/AM) publicou uma nota de repúdio à realização da Copa América no Brasil. A polêmica foi iniciada após a recusa de Argentina e Colômbia em sediarem o evento. Em decisão relâmpago, após pedido da Conmebol, o governo federal confirmou a realização do evento no Brasil, o que tem gerado críticas de especialistas, políticos, personalidades e atletas, que ensaiam inclusive uma negativa de entrada em campo.

O defensor-geral, Dr. Marcelo Amil, informou que a posição não foi tomada com base em achismos nem em suas impressões, mas em dados científicas produzidos por pesquisadores do Inpa e UFMG. “O Amazonas sabe do compromisso da defensoria com o esporte, então, pelo nosso coração, seria fantástico ter uma Copa América novamente no Brasil, mas é insanidade, mais uma vez ignorar cientistas. Já vimos que esse negacionismo condenou 470 mil brasileiros à morte. Desses, mais de 13 mil amazonenses”.

Questionado sobre quais seriam as diferenças entre Copa América e as eliminatórias, por exemplo, o advogado explicou que “as eliminatórias são já uma parte da Copa do mundo, um evento maior, que em algum momento também será rediscutido como foram as Olimpíadas. Já a Copa América é um evento em si, isolado, que não possui qualquer continuidade. A diferença de indispensabilidade entre um e outro é gritante. Na verdade nossos índices pífios de vacinação até aqui não nos permitiram sequer estar realizando os  campeonatos em curso”.

Subdfensor-geral, Dr. Hudson Manchila, mostra preocupação com novas variantes. Ele externou sua preocupação com o surgimento de novas variantes, o que, de acordo com cientistas, pode até mesmo prejudicar a estratégia de vacinação em curso no mundo. “Vale lembrar que neste momento o Brasil enfrenta o risco de recrudescimento da pandemia em um momento em que são descobertas no País novas variantes e em que a campanha nacional de vacinação tem tido graves obstáculos operacionais”.

Abaixo segue a íntegra da nota.

Nota de repúdio


A Defensoria dativa do Tribunal de Justiça Desportiva do Amazonas, por meio desta nota repudiar a confirmação do Brasil como sede da Copa América de Seleções de Futebol, anunciada nesta segunda-feira (1º) pelo ministro-chefe da Casa Civil e ratificada pela Presidência da República.

A despeito da declaração do presidente da Conmebol, Sr. Alejandro Domínguez, em afirmar que o ecossistema do futebol está protegido em razão do cumprimento dos protocolos sanitários, é inegável que a população brasileira, sobretudo a população do Estado do Amazonas, encontra-se em extrema fragilidade diante da notória ineficácia do Poder Público a se mostrar uma resposta efetiva, centralizada e coordenada em face da epidemia de Sars-CoV-2, causador da Covid-19.

Nossa posição é embasada em documento científico produzido pelos cientistas Ferrante, L., Duczmal, L.H., Steinmetz, W.A. C., Almeida, A.C.L., Leão, J., Tupinambás, U., Vassão, R.C. & Fearnside P.M. 2021. Parecer Técnico: Recrudescimento da pandemia de Covid-19 e aumento de transmissão comunitária de diferentes cepas pela ocorrência da Copa América no Brasil. Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) & Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)

A explícita recusa do governo federal em adotar diretrizes de saúde pública de amplo alcance e com base em evidências científicas, dado o negativo indicador de mais de 463 mil óbitos decorrentes da doença no País, revela que a aceitação do País como sede do torneio continental é mais um passo no sentido de radicalizar a sua postura quanto à pandemia.

Autorizar a Copa América em território nacional é desprezar a saúde e a vida de todos os latino-americanos.