Delegados filiados ao PT e PL trocam farpas em busca de ‘hype’ nas eleições

O delegados da PC-AM João VIctor Tayah e Costa e Silva (Composição de Lucas Alves/Revista Cenarium)
Ricardo Chaves – Da Revista Cenarium

MANAUS (AM) – A cinco meses das eleições municipais de 2024, pré-candidatos começam a se movimentar para tentar conquistar eleitores e “pegar carona” no “hype” político de figuras de expressão como o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ou do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Nas redes sociais, a palavra hype é usada para assuntos que estão dando o que falar, algo que está na moda e que é comentado por todo mundo.

Na capital amazonense, dois delegados da Polícia Civil do Amazonas (PC-AM), veteranos em disputas eleitorais, trocaram farpas nas redes sociais nesta semana. O motivo foi um outdoor patrocinado por um grupo intitulado Direita Amazonas, instalado na capital, com a frase “Manaus é Bolsonaro”.

O presidente Lula e o ex-presidente Bolsonaro (Composição de Paulo Dutra/Revista Cenarium)

A situação foi protagonizada pelos delegados João Tayah (PT) e Costa e Silva (PL). Ambos já disputaram eleições por seus respectivos partidos políticos. Tayah é o primeiro suplente do vereador Sassá da Construção Civil na Câmara Municipal de Manaus (CMM). Já Costa e Silva é terceiro suplente de deputado federal pelo PL. O mandato atualmente é exercido por Alberto Neto, representante da sigla pelo Amazonas no Congresso Nacional.

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“Manaus é Bolsonaro?”

A provocação iniciou com um vídeo gravado na última quarta-feira, 24, por Tayah, em frente a um outdoor localizado na Zona Centro-Sul de Manaus, questionando a gestão do ex-presidente durante a pandemia do coronavírus. “Manaus é Bolsonaro? Pergunta aos familiares de mortos por Covid-19 se eles são Bolsonaro. Aqui foi epicentro da tragédia do caos que foi essa gestão incompetente de Bolsonaro”, disse o pré-candidato. 

O petista também recordou a série de decretos do ex-presidente que retiraram a competitividade das indústrias amazonenses. Na época, as medidas impactaram as vantagens comparativas da Zona Franca de Manaus (ZFM) e fez com que lideranças políticas regionais buscassem o Supremo Tribunal Federal (STF) para suspender a norma.

“Tudo que ele pode fazer para destruir a Zona Franca ele fez. Vocês fumaram cloroquina estragada? Ele [Bolsonaro] deve rir da cara de vocês de tão patéticos que são”, disparou o político. Assista a seguir.

“Isso é hipocrisia”

Um dia após a publicação, o pré-candidato a vereador pelo PL Delegado Costa e Silva reagiu a fala de Tayah. Aproveitando o hype, o político foi ao mesmo local e defendeu Jair Bolsonaro. Em vídeo, ele rebateu as falas do colega de profissão argumentando que o ex-presidente sofreu com eventos que ocorreram durante seu mandato.

“O Bolsonaro passou uma dificuldade tremenda na gestão dele, que foi lidar com a pandemia, algo que não aconteceu na gestão de ninguém nesse País no último século. Evocê dizer que ele não ajudou? Mais de meio bilhão veio para Manaus para ser usado na pandemia”, rebateu Costa e Silva.

O delegado filiado ao PL também criticou Tayah por estar à disposição da Associação de Delegados e sem atuar na Polícia Civil desde março de 2023 recebendo R$37,2 mil. “Não seja leviano e injusto. Você quer puxar sardinha para o seu lado e criar narrativa. Isso é hipocrisia na minha opinião”, disparou. Assista abaixo.

Identidade eleitoreira

Para o cientista e analista político Helso Ribeiro, a postura de ambos representa uma tentativa de buscar uma identidade para se diferenciar de outros postulantes a uma cadeira na Câmara Municipal de Manaus (CMM).

“A eleição para vereador é uma das eleições mais disputadas. Diria que terá cerca de 800 candidatos, mais ou menos. Um pouco menos da anterior, porque a legislação atual só permite que cada partido ou federação lance 42. No meio desse mar de candidatos, é interessante [para eles] marcar uma identidade”, analisa.

Ribeiro ressalta ainda que a busca por uma diferenciação protagonizada por ambos acaba se tornando uma identidade eleitoreira que tenta se vincular a um chamamento do último processo eleitoral em que Jair Bolsonaro e Lula polarizaram as eleições de 2022.

Analista político Helso Ribeiro (Ricardo Oliveira/Revista Cenarium Amazônia)

“O que a cidade precisa é que o vereador cuide dela e proponha leis. Além de fiscalizar aquele que será o prefeito. Pode até falar de política internacional, se quiser. Mas esse não vai ser o objeto do seu trabalho. Além do que, a competência legislativa de um vereador, ela é residual, ele pode muito pouco. Essa [busca] por identidade [de ambos] é muito vinculada a um recall da última eleição”, avalia.

O cientista político afirma, também, que houve uma visão maniqueísta entre lulistas e bolsonaristas [na última eleição. “Os dois [Tayah e Costa e Silva] estão querendo pegar carona, lembrando que já foram candidatos e não são de primeira viagem. Ambos buscam marcar posição e com isso acabam sendo combustível um do outro para afirmar essa identidade”, esclarece.

Leia mais: Pré-candidatura é artifício para candidatos testarem densidade eleitoral, apontam analistas
Editado por Adrisa De Góes
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