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22 de janeiro de 2022
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Com informações da Folha de S. Paulo

SÃO PAULO – O retorno gradual ao trabalho presencial e a retomada do turismo aumentaram a demanda por um tipo de serviço que vem ganhando destaque no mercado pet, o de babá de bicho. Assim como uma baby sitter, o profissional é contratado para cuidar de um animal de estimação na ausência de seu tutor.

O pet sitter dá comida e água, limpa a caixa de areia ou tapete sanitário, brinca e passeia com o animal, mas com uma particularidade: ele vai à casa do cliente, sem que o cão ou gato precise deixar o ambiente onde vive.

Cristiano Cunha, 48, largou a profissão de criador de website para fundar a Allegro Cat Sitters – Arquivo pessoal

As vantagens são muitas para ambas as partes. Para o tutor, sai mais barato do que deixar o animal em algum tipo de hospedagem. Já o pet sitter tem flexibilidade de horário, não precisa estar disponível 24 horas por dia e não precisa ter um espaço adequado para receber os animais.

A demanda pelo serviço na plataforma DogHero cresceu 120% no primeiro semestre de 2021, em relação ao mesmo período de 2020.

Leia mais: Impactos da pandemia no mercado de trabalho pode persistir por mais um ano, avalia economista

Já são 900 pet sitters cadastrados no estado de São Paulo, sendo 500 somente na capital. E o serviço não se limita a cães e gatos — pode ser contratado também para hamsters, répteis, porquinhos-da-índia e pássaros.

“As pessoas estão cada vez mais familiarizadas com essa modalidade e sentindo mais confiança para receber os profissionais em suas casas”, afirma Flavia Nasser Goulart, 37, gerente de estratégia e novos negócios da DogHero.

A ex-bancária Mirna Moura, 53, é uma das pet sitters cadastradas pela plataforma e conta que tem trabalhado como nunca.

Segundo ela, desde o início das férias escolares, em dezembro de 2021, tem feito até quatro atendimentos por dia — por cada visita, que tem uma hora de duração, cobra R$ 55, sendo que 25% ficam com a DogHero.

Para se inscrever na plataforma é preciso passar por uma seleção, que inclui verificação de antecedentes criminais, curso online obrigatório e prova. Apenas 30% são aprovados.

Depois que começam a trabalhar, recebem avaliações dos clientes monitorados. Mirna tem cinco estrelas na plataforma, conquistadas com as avaliações positivas que recebe.

“As pessoas aprovam responsabilidade e pontualidade, mas o que mais valorizam é atestar que o pet está feliz e tranquilo. Estar sempre em contato com os tutores, mandando vídeos e fotos o tempo todo, é fundamental”, afirma a pet sitter.

O mercado anda tão aquecido que o ex-criador de websites Cristiano Cunha, 48, largou a profissão em 2012 para fundar a Allegro Cat Sitters. No início, eram apenas ele e a mulher, Tatiana Sales, mas o time já tem seis pessoas — e chegou a 20 nas festas de fim de ano.

Entre 15 de dezembro de 2021 e 15 de janeiro de 2022, diz o empreendedor, terão sido realizados cerca de mil atendimentos. “Já superamos a procura registrada no período anterior à pandemia”, diz ele, que começou a trabalhar como pet sitter em 2010.

Os clientes pagam R$ 75 pela visita de uma hora, preço que vale para quem tem até quatro gatos. Como o raio de atuação limita-se a 15 quilômetros a partir do centro de São Paulo, a Allegro cobra taxa extra, de R$ 5 a R$ 10, para atender locais mais distantes.

Em breve, Cunha vai lançar o aplicativo próprio da empresa, por meio do qual os clientes vão poder solicitar o serviço e modificar informações no banco de dados do pet.

Para garantir que não faltem profissionais para atender a demanda, ele também desenvolve um curso de cat sitting, a ser realizado no segundo semestre de 2022 no formato híbrido, por R$ 1.500. O conteúdo vai incluir conhecimentos técnicos sobre gatos, prospecção de clientes e administração do negócio.

Gostar de bichos, avisa Cunha, não é o bastante para ter sucesso no ramo — é preciso estudar e estar disponível, sabendo que os períodos de mais trabalho serão justamente aqueles em que todo mundo estará relaxando, como férias, fins de semana e feriados. “Também precisa ser persistente. Como a relação com os clientes depende da confiança e das avaliações positivas, os resultados podem demorar a aparecer”, afirma.

Para não depender apenas do feedback da clientela, a pet sitter Letícia Orlandi (Pets da Lets), 41, apostou em uma certificação internacional.

Depois de investir cerca de R$ 5.000 em cursos online da organização Pet Sitting International, ministrados em inglês, ela fez uma prova de 175 questões para receber o certificado —e por enquanto é a única certificada no Brasil, de acordo com a própria entidade. “As perguntas se referiam a saúde e comportamento animal e postura do profissional. Era um conteúdo extenso, que exigiu muita concentração”, conta.

O investimento, avalia, conta pontos em um segmento já tão concorrido. “Pode surgir uma emergência, que exija uma decisão de última hora, como levar o animal ao veterinário, e ter essa certificação ajuda a atestar a seriedade com que eu encaro a profissão.”