Depois de ataques à ZFM, Bolsonaro quer tirar amazonense da vice-presidência da Câmara

Incomodado com as críticas do vice-presidente da Câmara, deputado federal Marcelo Ramos (PSD-AM), a seu governo e, em especial, aos decretos que tiram a competitividade da Zona Franca de Manaus, o presidente Jair Bolsonaro (PL) partiu para nova ofensiva. Quer tirar Ramos da vice-presidência da Câmara, cargo para o qual teve votação expressiva, 396 votos. As pretensões de Bolsonaro de retaliar Marcelo Ramos, no entanto, foram frustradas pelo ministro do STF Alexandre de Moraes, que deu liminar favorável ao deputado e oficiou o presidente da Câmara, Arthur Lira, a se abster de acatar a deliberação do PL.

Ramos presidente até quinta

Ao trocar o PL pelo PSD, Marcelo Ramos já havia oficiado consulta junto ao TSE e TRE Amazonas, argumentando que sua saída do Partido Liberal se dava por incompatibilidade programática com Bolsonaro e aliados que ingressaram em massa na agremiação. Ramos teve decisões favoráveis nas duas Cortes, o que afastou qualquer hipótese de infidelidade partidária e não corre o risco de perder o cargo de vice por ter trocado para sigla que compõe o mesmo bloco que elegeu Lira e a maioria da Mesa Diretora. Gostando ou não, Bolsonaro verá, nesta semana, o vice no exercício da Presidência da Câmara até esta quinta-feira, 12, de noite, quando Lira retorna da viagem aos EUA.

Mobilização pela ZFM na quarta

À coluna Via Brasília, Marcelo Ramos diz que sua atuação em defesa da ZFM incomoda Bolsonaro. “O desejo do presidente é que eu troque a manutenção no cargo de vice por silenciar em relação à ZFM“, afirmou, acrescentando que se não se curvará e que não trocará o futuro do Estado por cargos. “Seguirei lutando pelos empregos, pelas escolas, pelos hospitais, pela floresta, pelo futuro do Amazonas”, disse. Ainda que a bancada conte com a liminar de Moraes excluindo os itens da ZFM no decreto do IPI, Ramos aproveitará o exercício da Presidência da Câmara para uma grande mobilização no Congresso na quarta-feira, 11, em favor do modelo econômico.

Pacheco presidente da República

Outro que assume a interinidade nesta semana é o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), que virou presidente em razão de viagens ao exterior de Bolsonaro, e do vice-presidente Hamilton Mourão. Será a primeira vez que Pacheco assumirá a Presidência. Bolsonaro vai a Georgetown, na Guiana, participar de uma agenda oficial. Próximo na linha sucessória, Mourão vai ao Uruguai. As viagens de Mourão e Lira atendem à regra da desincompatibilização, segundo a qual pessoas que concorrem a cargo eletivo nas eleições não podem assumir, mesmo que interinamente, o comando do País.

General lobista no Planalto

Lobista conhecido de mineradora acusada pelo Ministério Público Federal de cooptação de indígenas para exploração da Amazônia, o general da reserva Cláudio Barroso Magno Filho esteve pelo menos 18 vezes no Palácio do Planalto no Governo Bolsonaro. Uma média de uma visita a cada dois meses e cinco dias. A área de atuação do militar fica na região de Autazes (AM), entre os rios Madeira e Amazonas. Os dados sobre as visitas do representante da Potássio do Brasil ao Planalto são do GSI -Gabinete de Segurança Institucional da Presidência.

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