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26 de novembro de 2021
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Luana Dávila – Da Revista Cenarium

Em meio à pandemia do novo Coronavírus, a população indígena, concentrada em sua maior parte no Amazonas, é uma das mais vulneráveis à doença e se vê ameaçada. Já são 91 índios mortos na Amazônia Legal. Para amparar os indígenas,  o Projeto de Lei nº 1.142/2020, prevê auxílio emergencial no valor de um salário mínimo mensal, além da definição de medidas para conter o avanço da Covid-19 nas aldeias.

O deputado José Ricardo (PT), um dos autores do PL, pressiona a Câmara dos Deputados pela sua aprovação. Ele disse à REVISTA CENARIUM que  “Não está fácil a aprovação no Congresso, porque o Governo Federal tem restrições a aumentar qualquer tipo de benefícios à sociedade indígena.

“O Projeto também trata da prioridade na saúde dos povos indígenas pela situação de vulnerabilidade a qual estão sujeitos e trata também do acesso às terras indígenas, que devem ter regras a serem definidas para evitar a contaminação. É necessário diminuir a circulação de indígenas e não indígenas nessas terras”, defendeu.

A proposta também se estende a quilombolas e a populações ribeirinhas de pescadores, nas comunidades mais distantes. “Esse projeto é muito importante porque cria o plano emergencial específico para atender os povos indígenas e também quilombolas. Está previsto ainda a população ribeirinha de pescadores, nas comunidades mais distantes, onde é mais difícil ter o atendimento tradicional nas cidades”, explica o petista ao afirmar que já são 17 quilombolas mortos pela Covid-19.

Juntamente com José Ricardo, assinam o Projeto de Lei nº 1.142/2020, os deputados Professora Rosa Neide (PT-MT) e Célio Moura (PT-MG).

“O avanço da letalidade do novo Coronavírus nos povos indígenas do Brasil já é maior que os casos de mortes da população inteira de seis países da América do Sul. Todas as vidas importam. Nossa luta é por todos. Os povos indígenas precisam de nós”, diz a Professora Rosa Neide, enfatizando que já são 102 índios mortos no País.

Pandemia atinge 33 etnias da Amazônia Legal (Divulgação)

Indígenas do Pará denunciam omissão da Sesai

Em nota, a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), afirma que a  liderança do povo Gavião Concita Sompré, no Pará, denuncia a omissão da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) “A Sesai não está preparada para atuar nessa pandemia. Não deu ouvidos para as reclamações e solicitações das populações indígenas quando começamos a sentir os primeiros sintomas, esperou o vírus chegar nas aldeias para atuar. Não vamos aceitar que o governo culpe os indígenas. A Sesai tem responsabilidade com o que está acontecendo na Terra Indígena Mãe Maria. Se omitiu a nos socorrer, por isso que o caso se alastrou, pois se tivesse tido uma ação logo no início talvez não teria acontecido”.

A aldeada explica que “oportunistas” estão se aproveitando do confinamento dos indígenas para fazer o que querem. “Estamos vivendo um confinamento de pânico porque houve um assalto na BR que corta a terra indígena. Invasores estão adentando na nossa mata para caçar e tirar castanha e outros produtos extrativistas que é fonte de renda para as populações indígenas”.

“O vírus já matou muitas populações indígenas no passado. A gente fugia da gripe, da varíola e da febre no meio da mata. Muitos morrendo e ficando para atrás. Pedimos apoio para que mais de 900 mil indígenas que vivem em aldeias e cidades não sejam dizimados. O que se percebe é que o governo federal está contando com vírus para poder dizimar as populações indígenas. A gente vê os braços cruzados do governo no combate ao Coronavírus”, completa a liderança do Pará.

Uma das líderes indígenas mais importantes da Amazônia, o cacique Gavião Krôhôkrenhum, morreu por complicações de tuberculose no último dia 19 de maio.

A reportagem entrou em contado com a Sesai através de sua assessoria de comunicação, mas até o momento desta postagem, não obteve resposta.

Pandemia já atinge 33 etnias da Amazônia

A Covid-19 já atinge 33 povos da Amazônia brasileira: Apurinã, Arapiun, Assurini do Trocará, Baniwa, Baré, Borari, Desana, Karajá, Karipuna, Karitiana, Kokama, Galibi (Kalinã), Gavião (Akrãtikatêj, Kykatejê e Parkatêjê), Guajajara, Hixkaryana, Huni Kuin, Mura, Munduruku, Macuxi, Pandereo Zoro, Palikur, Sateré-Mawé, Shanenawa, Tariano, Taurepang, Tembé, Tikuna, Tukano, Tupinambá, Xavante, Yanomami, Warao e Wapichana. Os falecimentos foram registrados entre 17 povos: Apurinã (2), Baré (3), Baniwa (2), Borari (1), Desana (1), Mura (1), Macuxi (1), Munduruku (2), Kokama (46), Palikur (1), Sateré Mawé (1), Tariano (1), Tembé (1), Tikuna (10), Tukano (4), Warao (3), Yanomami (1) e mais dez povos ainda não identificados pela Sesai.