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28 de novembro de 2021
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Bruno Pacheco e Déborah Arruda – Da Cenarium

MANAUS (AM) – Com 1 ano e 8 meses de idade, o pequeno Luiz Guilherme Galucio Corrêa, hoje com 7 anos, começava a apresentar os primeiros sintomas do Transtorno do Espectro Autista (TEA). O pai, o empresário Luiz Corrêa Neto, de 30 anos, conta que quando a família chamava o menino, ele nunca respondia, foi então que eles decidiram ir ao médico para saber o que estava acontecendo. Lá, a criança foi diagnosticada com autismo leve.

“Ele não olhava quando chamávamos. Só percebi porque meu afilhado, seis meses mais velho que meu filho, respondia aos comandos. No início, eu chorei porque não sabia e nem conhecia o mundo do autismo. Mas, na hora, fui pesquisar. Percebi que eu era preconceituoso e mudei no mesmo momento”, lembrou à CENARIUM o empresário Luiz Neto.

O autismo é um transtorno manifestado em níveis leves (grau 1), moderados (grau 2) e severos (grau 3), que são caracterizados por afetar, segundo o Manual de Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais 5ª edição ou DSM-5, o comportamento, as habilidades sociais, a fala e a comunicação verbal e não verbal. Ao contrário do último estágio do diagnóstico do TEA, o grau 3, onde o paciente necessita de mais suporte e apoio, no grau 1 a criança necessita de pouco suporte, podendo ter dificuldade para se comunicar, mas não a limita para ter interações com outras pessoas.

Luiz Neto e o filho, Luiz Guilherme (Arquivo Pessoal)

Quando se aprofundou no assunto, Luiz Neto destaca que percebeu um mundo incrível e extraordinário que existia sobre o autismo e o quão melhores pessoas com TEA são do que outras. E foi com o apoio da família e amigos que ele e o filho Guilherme buscam superar todas as barreiras e obstáculos que surgem diariamente e viver, da maneira mais singela possível, o sentimento paterno.

Neste Dia dos Pais, Luiz falou à CENARIUM sobre os desafios de ser pai de uma criança com autismo, o medo do filho sofrer preconceito e o quanto é importante ser amigo da criança diagnosticada com o transtorno. Mesmo com estágio leve de autismo, o menino Guilherme ainda precisa de atenção de familiares e, pensando nisso, o empresário estabeleceu uma rotina para estar sempre presente na vida do filho.

Os momentos de pai e filho de Luiz Neto e Guilherme são compartilhados nas redes sociais (Arquivo Pessoal/Reprodução)

“Eu procuro repetir todos os dias para o meu filho que somos os melhores amigos do mundo. Depois que conheci [o autismo], fui entender que temos que respeitar os limites das pessoas e que cada um tem suas limitações”, salientou.

Luiz Neto reforça ainda que todos os dias ele luta para que o filho seja independente. “Todos os dias luto para que ele seja independente e que entenda que as pessoas menos evoluídas vão tratar ele com preconceito. Ele tem que ter a força do pai dele e a garra da avó para vencer todos os obstáculos”, reforçou.

Amor incondicional

Quem também compartilha a vida de ser pai de um adolescente autista é o apresentador Marcos Mion. Com o filho Romeo, de 16 anos, diagnosticado com TEA ainda na infância, o apresentador dança, brinca e usa suas redes sociais para mostrar essa rotina cheia de atenção e afeto ao filho. Em recente entrevista à Revista Quem, Mion afirmou que a paternidade de um filho autista é cheia de desafios, mas recompensadora em outros aspectos.

“A principal preocupação que um pai de deficiente deve ter é criar um ambiente seguro e com pessoas que você confia para ele poder ter esses momentos de liberdade. O Romeo é um caso completamente à parte. Ele é um desafio. Ele é adolescente de fato, tem 16 anos, mudou hormonalmente, a personalidade, tudo. Se a adolescência já é difícil, a adolescência autista é muito específica”, contou.

Marcos Mion e Romeo (Foto: Reprodução/Instagram)

Os vídeos que o apresentador grava com o filho e compartilha em suas redes sociais chegam a mais de 2 milhões de visualizações. Em alguns, sozinho, Mion fala abertamente sobre como ser pai de Romeu o moldou como homem e como é importante levar o assunto a cada vez mais pessoas, sempre tentando buscar a conscientização acerca do assunto.

Dia dos Pais

A celebração da figura paterna se iniciou nos Estados Unidos da América (EUA), em 1909, quando Sonora Louise Dodd resolveu mobilizar uma comunidade e instituições sociais para homenagear o pai, o veterano de guerra William Jackson Smart, que criou seus seis filhos após a morte da esposa. A data só foi oficializada no país em 1966, no segundo domingo de junho.

Já no Brasil, o Dia dos Pais começou a ser comemorado em 1953, quando o publicitário Sylvio Bherinh realizou um concurso para homenagear três tipos diferentes de pais: o mais velho, o mais jovem e o com mais filhos. A ideia de Sylvio, que era diretor do jornal O Globo, ganhou grande repercussão midiática e a data passou a ser comemorada no dia 16 de agosto. Isso porque a intenção do publicitário era fazer uma associação ao dia de São Joaquim, pai de Maria, mãe de Jesus Cristo. Porém, com o passar dos anos, a comemoração passou a ser realizada no segundo domingo de agosto e assim se manteve até os dias atuais.