Desgaste eleitoral: ‘Bolsolão do MEC’ derruba ministro Milton Ribeiro e preocupa Planalto

Yusseff Abrahim – Da Revista Cenarium

BRASÍLIA – O presidente Jair Bolsonaro (PL) exonerou o ministro da Educação, Milton Ribeiro, na tarde desta segunda-feira, 28, em Brasília. O ministro cai após o processo desencadeado pelo vazamento de um áudio divulgado pelo jornal Folha de São Paulo, onde afirmava que, a mando do próprio presidente Jair Bolsonaro, estava liberando verbas do MEC, de acordo com a indicação de dois pastores; Arilton Moura e Gilmar Santos.

O escândalo, que já começa a ser apelidado de “Bolsolão do MEC”, funcionaria com os dois pastores agindo como lobistas e a criação de um gabinete paralelo que negociaria favorecimentos pessoais usando a estrutura do Estado na obtenção de vantagens ilícitas em prefeituras de todo o Brasil.

Bolsonaro, que chegou a afirmar na última quarta-feira, 23, que não via “nada demais” e ainda colocaria “a cara no fogo” por Milton Ribeiro, cedeu à pressão na tentativa de administrar o desgaste em ano eleitoral, enquanto mais detalhes do suposto esquema não param de surgir em vários municípios.

Em denúncia publicada nesta segunda-feira, 28, no Metrópoles, o pastor Arilton Moura teria solicitado que organizadores de evento do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) comprassem uma passagem aérea para garantir a presença de sua secretária particular no evento “Gabinete Itinerante”, que reuniu cerca de 70 prefeitos de cidades do interior paulista, em Nova Odessa-SP.

Já Gilmar Santos, que também cobrava de prefeitos pelo uso da influência no MEC, teria investido R$ 100 mil oriundos de repasses para a criação da Faculdade ITCT, aberta no último dia 8, na Junta Comercial de Goiás. Os recursos deveriam ser destinados às prefeituras, de acordo com informações do jornal O Globo.
A Polícia Federal já havia aberto dois inquéritos para investigar o caso, na última sexta-feira, 25.

No Senado, enquanto a oposição articula a criação de uma CPI do MEC, a ida de Milton Ribeiro marcada para esta quinta-feira, 31, pode não acontecer por conta de sua exoneração, já que ele havia sido “convidado” pela Comissão de Educação e Cultura da Casa. Caso escolha não comparecer, ai sim, poderá ser convocado para prestar os esclarecimentos junto aos parlamentares em caráter obrigatório.

O ex-ministro já havia sido denunciado pela PGR, em 2020, por crime de homofobia, ao relacionar a homossexualidade ao que chamou de “famílias desajustadas” e que adolescentes estavam “optando por ser gays”, nas próprias palavras do então ministro.

A Educação segundo Bolsonaro

Fazer uma retrospectiva das escolhas de Jair Bolsonaro para o comando da Educação do Brasil, cujo ministério possui o segundo maior orçamento da Esplanada, é um exercício que beira a incredulidade.
Seu primeiro indicado, Carlos Alberto Decotelli, chegou a ser nomeado, mas não tomou posse, por ter fraudado o próprio currículo.

O segundo, ministro Ricardo Velez, saiu com apenas dois meses e meio ao não conseguir administrar a briga interna entre discípulos de Olavo de Carvalho e militares. Ficou marcado por medidas como pedir que escolas filmassem alunos cantando o Hino Nacional e quando afirmou em entrevista que brasileiros no exterior se comportavam feito “canibais”.

Abraham Weitraub foi o terceiro. Assumiu favorecimento à ala ideológica “olavista”; ficou famoso pelo tempo dedicado ao Twitter onde escreveu a grafia errada de “imprecionante”, “paralização” e “suspenção”, além de manifestar antipatia pelas universidades federais e estudantes. Comandou o Enem, no qual erros de correção deixaram seis mil estudantes em suspense. Sua exoneração foi publicada no mesmo dia em que deixou o País, onde é alvo de investigações por racismo e ataque a ministros do STF.

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