8 de março de 2021

Marcela Leiros – Da Revista Cenarium

MANAUS – O satélite Amazônia-1, o primeiro de observação da Terra projetado, integrado, testado e operado pelo Brasil, será lançado no dia 28 de fevereiro, à 1h54 (horário de Brasília). O Amazônia-1 será lançado na missão PSLV-C51, da agência espacial indiana Indian Space Research Organisation (ISRO), às 10h24 (horário da Índia).

O satélite faz parte da chamada Missão Amazônia, criada para fornecer dados de sensoriamento remoto para observar e monitorar o desmatamento, especialmente na região amazônica. A missão também vai monitorar a agricultura em todo o território nacional com alta taxa de revisita – a capacidade de coleta de imagens para um mesmo local em um curto intervalo de tempo – buscando atuar em sinergia com os programas ambientais existentes.

Para o Doutor em Cartografia e Sistemas de Informação Geográfica, André Luiz Mendonça, além do benefício da participação do Brasil na construção de um satélite próprio, também é importante, para a Amazônia, a questão da revisita. Enquanto satélites americanos e europeus têm taxas de 10, 12 ou até 15 dias, o satélite brasileiro promete cinco dias de taxa.

“Isso é muito útil porque a gente pode acompanhar processos com maior agilidade, por exemplo, para você fazer determinados tipos de fiscalizações. Pelo fato dele também ser pensado para cá, você consegue fazer com que, sob necessidade, tenha uma revisita ainda menor, de dois em dois dias”, destacou Mendonça.

Trata-se de um satélite de órbita Sol síncrona (polar) que gerará imagens do planeta a cada cinco dias. (Reprodução/Inpe)

Esse será o terceiro satélite brasileiro de sensoriamento remoto em operação junto ao CBERS-4 e ao CBERS-4A. Esses dois últimos foram desenvolvidos pelo Brasil em parceria com a China. O Amazônia-1 tem seis quilômetros de fios e 14 mil conexões elétricas. Trata-se de um satélite de órbita Sol síncrona (polar) que gerará imagens do planeta a cada cinco dias.

Ele é capaz de observar uma faixa de aproximadamente 850 km, com 64 metros de resolução. A vida útil do Amazônia-1 é de quatro anos. A missão ainda prevê o lançamento de mais dois satélites, o Amazônia-1B e o Amazônia-2.

Brasil na corrida espacial

Em nota, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) afirmou que “a Missão Amazônia irá consolidar o conhecimento do Brasil no desenvolvimento integral de uma missão espacial utilizando satélites estabilizados em três eixos, visto que os satélites de sensoriamento remoto anteriores foram desenvolvidos em cooperação com outros países”.

Ainda segundo o instituto, “a indústria espacial brasileira terá ganho herança de voo nos equipamentos fabricados para o satélite, o que abre perspectivas para fornecimento a outros países e agências espaciais”.
André Luiz Mendonça ainda reforçou que os benefícios de um projeto tão grande como esse vão além das imagens que serão captadas.

“A gente tem que entender que é um projeto de grande magnitude, gastos e tudo, mas isso tem todo um papel catalisador dentro de um polo industrial do setor aéreo e de tecnologia. Têm incentivos que vão ser dados para empresas de chips de placas, por exemplo. Então isso é muito maior do que meramente o benefício das imagens”, destacou o especialista.

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