Dia de Combate à Homofobia é marcado por luta de direitos e igualdade entre gêneros

Luís Henrique Oliveira – Da Revista Cenarium

MANAUS – Há muitas décadas homens que fazem sexo com homens ou mulheres que sentem atração por outras mulheres sofrem por conta do preconceito sofrido diante da sociedade. Além disto, pessoas transgêneras que nascem em corpos opostos também sofrem por quer ser quem, realmente são. E neste Dia Internacional de Combate à Homofobia, o principal ‘pedido’, é simples e continua sendo o Respeito.

De acordo com publicitário e ativista LGBT, Bruno Onp, de 28 anos, o Brasil registra uma morte de LGBT a cada 23 horas, sendo que pessoas transexuais são as que mais são assassinadas.

“Essa sociedade cis, heteronormativa que me julga pelo meu modo de vestir, que precisa mudar. Não é certo julgar uma pessoa quanto a sua maneira de vestir. Esse preconceito, discriminação e intolerância para com o meu corpo, com a minha identidade de gênero. Isso acontece pelo simples fato de eu não seguir um padrão. Não é um calção ou uma camisa que vão me fazer mais ou menos homem”, disse.

Sobre a importância da data, Bruno explica que gays, lésbicas e trans atravessam tempos sombrios desde Stonewall, que foi uma série de manifestações violentas e espontâneas de membros da comunidade LGBT contra uma invasão da polícia de Nova York em 28 de junho de 1969.

“Todo dia é um ato de resistir. Uma sociedade que mata LGBTs apenas pelo fato de amarmos uns aos outros, seja pelas questões de identidade sexual, de gênero, de identidade afetiva, enfim. E o governo federal vem para limar ainda mais essas questões. Quando esse neoliberalismo é colocado à risca, entendemos que grandes proporções desse neoliberalismo, ele vem de um fundamentalismo religioso que chamamos também de conservadorismo e esse conservadorismo tenta restringir ao máximo que os nossos direitos sejam colocados, respeitados, sejam garantidos por meio de esferas”, completou.

Estatística

Dados de entidades do País dão conta de que a população LGBT no Brasil esteja estimada em 20 milhões, ou seja, cerca de 10% da população, sendo que representam menos de 1% dentro dos espaços legislativos municipais, estaduais ou federais.

Outro dado que chama atenção é que houve um aumento de 13% no número de mortes de pessoas trans durante a pandemia neste isolamento social. “A data de hoje é para que menos vítimas sejam feitas. Precisamos engrossar o caldo dentro das polícias. Precisamos ter delegacias especializadas a crimes LGBTfóbicos. Precisamos colocar um aparato maior para assistência social voltada a pessoas LBGTs, sejam elas expulsas ou não de casa. Tudo isso é preciso ser entendido. E o governo federal não se dispõe desse diálogo para com interesse da sociedade LGBT”, finalizou Bruno.

Visibilidade trans

“Não é um dia de comemoração, mas um dia de reflexão para com todo o processo de exclusão e falta de oportunidades que as pessoas trans sofrem. Quando pensamos na população trans, precisamos entender que a nossa luta é para que a sociedade entenda que também somos seres-humanos”, disse a ativista trans Michele Pires.

Michele Pires é trans e está na luta pela igualdade de direitos para com a população LBGT. (reprodução)

O 17 de maio

A data em que se relembra o combate à homofobia relembra que, em 1990, a Organização Mundial da Saúde (OMS) retirou a homossexualidade da Classificação Internacional de Doenças. Desde então, o 17 de maio virou símbolo da luta por direitos humanos e pela diversidade sexual, contra a violência e o preconceito.

A data foi criada em meio a um cenário em que atitudes homofóbicas e transfóbicas ainda estão profundamente arraigadas globalmente, expondo lésbicas, gays, bissexuais, pessoas trans e intersex (LGBTI) de todas as idades a violações aos direitos humanos.

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