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19 de novembro de 2021
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Bruno Pacheco – Da Revista Cenarium

MANAUS – Assim como todas as datas simbólicas comemoradas para conscientizar a população sobre algo, surge o Dia de Proteção às Florestas. A data, celebrada neste sábado, 17, chama a atenção para o consumo consciente dos recursos naturais e a preservação de um dos maiores patrimônios da humanidade: as árvores, o lar das mais diversas espécies de animais e plantas e um bem essencial para a existência do planeta.

O 17 de julho é também lembrado como o Dia do Curupira, figura do folclore brasileiro conhecido como o “protetor da floresta” por ser uma entidade de cabelos vermelhos e pés virados para trás, que “se livra” de malfeitores da natureza. Para o ambientalista da superintendência do Instituto Socioambiental Chico Mendes, José Antônio Coutinho, o cuidado vai muito além do ‘afastar’ os mal-intencionados.

“Nossos ancestrais foram ensinados a utilizar os recursos naturais de maneira sustentáveis, tanto que desenvolviam boas práticas e possuíam hábitos conscientes. Os adultos devem começar assumindo a responsabilidade que cada um deveria ter em cuidar do meio ambiente e utilizar esses exemplos para contribuir com a educação dos filhos, para que o legado seja mantido”, ressaltou Coutinho.

Cuidar do meio ambiente é pensar no legado para as próximas gerações, afirma o ambientalista (Ricardo Oliveira/Revista Cenarium)

Maior bioma

Coutinho lembra que a floresta fornece uma rica diversidade de recursos ambientais para o planeta e contribui, de forma significativa, para a manutenção do equilíbrio ambiental do ecossistema. De acordo com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), somente a Amazônia, compreende 49,29% do território brasileiro, sendo considerado o maior bioma do mundo.

A floresta abrange nove países, entre eles: o Brasil, Paraguai, bem como a Bolívia, Peru; assim como Equador, Colômbia, Venezuela, além de Guiana Francesa e Suriname. Juntos somam cerca de 40 mil espécies de plantas, 300 espécies de mamíferos, 1,3 mil espécies de aves, habitando em 4,196.943 km² de florestas densas e abertas.

O ambientalista José Antônio Coutinho lembra que sem a floresta todos que dependem dela seriam afetados direta ou indiretamente, seja nas questões de saúde, na disponibilidade de alimentos, no clima e entre outros pontos relacionados à sobrevivência da humanidade.

Fator econômico

José Coutinho é engenheiro de meio ambiente e trabalha com o chamado “selo verde”, certificação socioambiental concedido a instituições públicas e privadas que buscam a sustentabilidade em todos os negócios. Para ele, embora as pessoas e as empresas reconheçam a necessidade de cuidar do meio ambiente, as ações não condizem com a prática, pois o fator econômico sempre se sobressai nas decisões e a população continua descartando lixo incorretamente.

“As empresas utilizam recursos naturais para transformar em produtos, mas ainda possuem muita dificuldade em olhar para os danos causados na extração desses desde a origem. Muitas regras são criadas, como as ‘políticas ambientais’, no entanto, fazem muitas ações pontuais e não continuadas”, detalha.

Para ele, a evolução ambiental tem ocorrido lentamente. “Podemos observar um número bem reduzido de organizações assumindo novas posturas sobre as responsabilidades socioambiental. As pessoas não conseguem evolução nas ações ambientais, continuam jogando o lixo nas ruas e nos igarapés. Elas necessitam de uma mudança de atitude e ações para cuidar desse patrimônio que é de todos”, reforçou.

Para o ambientalista, existem vários fatores que têm contribuído para a destruição da floresta, porém, o mais evidente é a falta de investimento nos órgãos de proteção ao meio ambiente e o abandono pelo poder público. “Eles foram criados com uma finalidade específica de cuidar de todas as questões ligadas aos ecossistemas vivos de forma sustentável, no entanto, podemos observar hoje que estão todos sucateados. A falta de investimentos e o abandono pelo poder público é notório”, aponta Coutinho.

Hábitos

Mudar os hábitos e contribuir de forma positiva para a qualidade ambiental é possível sim, afirma José Coutinho. Para ele, contudo, não é somente a obrigação do poder público proteger o meio ambiente, pois a população também precisa fazer a sua parte na conservação da floresta, evitando descartar lixo incorretamente, por exemplo.

“São atitudes conscientes que poderiam ser mudadas. Entretanto, precisamos dar início às mudanças de forma emergencial, atuar de diversas maneiras para promover a mudança de conceitos e posturas na sociedade brasileira, visando a justiça social, o equilíbrio ambiental e o respeito à vida”, ressaltou.

O ambientalista acentua ainda que é necessário uma difusão da educação socioambiental, com eventos, pesquisas e projetos para fazer do ser humano o “agente transformador capaz de promover avanços quanto à qualidade ambiental a ser herdada pelas futuras gerações”.

“Devemos assumir nosso papel como um ser integrante do meio. Nossa responsabilidade vai além da causa ambiental, a continuidade de nossa espécie. Se cada um fizer sua parte, conseguiremos deixar para a futura geração um ativo e não um passivo social e ambiental”, disse.

Podemos mudar nossos hábitos e contribuir com a administração pública, desenvolver o consumo consciente dos recursos naturais, reutilizar produtos e matérias, evitar o descarte desnecessário, incentivar o uso de produtos recicláveis entre outras ações que podem ser desenvolvidas”, conclui José Antônio Coutinho.