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15 de outubro de 2021
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Alessandra Leite – Da Revista Cenarium

MANAUS – Quando foi declarada a pandemia, no agora já distante março de 2020, ninguém sabia que caminhos seguir e sem qualquer preparo prévio todas as portas foram fechadas, não havias janelas por onde se olhar e todos os espaços foram usurpados e reduzidos ao microcosmo de cada um, por tempo indeterminado. Desta forma, a artista plástica Rosa dos Anjos, presidente da Associação de Cultura do Estado do Amazonas (Aceam), tentou descrever os sentimentos de incerteza vividos pelos artistas de Manaus, sobretudo no começo das restrições impostas por um vírus que colocou o mundo todo trancado dentro de casa.

Com o abrandamento dessas limitações de circulação de pessoas na capital do Amazonas, foi possível a realização de um ato simbólico em homenagem a esta categoria tão castigada pelo coronavírus, já que seu produto é feito para multidões: os artistas.

Coordenada pelo Conselho Municipal de Cultura (Concultura) e pela Fundação Municipal de Cultura, Turismo e Eventos (Manauscult), em parceria com a Aceam, uma exposição interativa das obras de dez artistas, entre pintores, escultores, colecionadores de peças antigas, foi iniciada hoje e terá caráter permanente, na praça Dom Pedro II, localizada no entorno do Museu da Cidade de Manaus, no Paço Municipal. O público pode conferir a exposição aos sábados, das 9h às 13h.

Artistas plásticos mostram seus quadros durante exposição na Praça Dom Pedro II, no Centro Histórico de Manaus (Alessandra Leite/Da Revista Cenarium)

De acordo com Rosa dos Anjos, o dia 8 de maio foi escolhido como o Dia do Artista Plástico para homenagear o pintor José Ferraz de Almeida Júnior, um dos mais importantes artistas brasileiros do século 19, cujo aniversário era nesta data. “Uma exposição é uma oportunidade muito grande para o artista, sobretudo neste momento de pandemia. Um dos projetos que mais tivemos sucesso foi exatamente o projeto Manaus das Artes, quando reunimos, na Ponta Negra, um total de 70 artistas. Esse tema Manaus das Artes vai continuar em homenagem a nossa cidade, criando oportunidades para os artistas se destacarem fazendo o que eles mais amam fazer: suas obras”, destacou a presidente da Aceam.

Rosa dos Anjos explica que, por ainda não ser possível promover aglomerações, somente dez artistas foram selecionados para a homenagem, tendo suas mesas e cavaletes com distanciamento de 20 metros entre eles. “São categorias diferentes, como escultores, grafiteiros, desenhistas, aquarelistas que pretendem mostrar ao público que passar pela praça um pouco da técnica e da vida do artista, de como trabalhamos com vários tipos de materiais”, disse.

Ao citar seu próprio trabalho como exemplo, Rosa dos Anjos acredita que o artista precisa ser eclético e aberto às novas possibilidades. “Trabalho com biojoias, faço paisagismo, peças de escultura em cimento, pinto, trabalho com fundição de lata de refrigerante, transformo esculturas. Porque nos dias que estamos vivendo, quando algo não nos dá retorno financeiro, precisamos atuar em outro segmento”, salienta.

Tela com o rosto da artista Rosa dos Anjos em exposição (Alessandra Leite/Da Revista Cenarium)

Sobre a limitação de apenas dez artistas em um primeiro momento da exposição, a presidente da Aceam enfatiza a necessidade de o artista dar o bom exemplo e educar a população sobre o uso da máscara, do álcool em gel, do distanciamento social. “Nossos costumes foram mudados no decorrer da pandemia. Eu tenho trabalhado sozinha no meu ateliê, as pessoas encomendam, eu entrego e elas ficam satisfeitas, portanto, eu não preciso me aglomerar. Nós precisamos lembrar que este é um momento de conscientização em que nós somos responsáveis uns pelas vidas dos outros”, recomendou.

Presidentes do Concultura e Manauscult, Tenório Telles e Alonso Oliveira recepcionam o público na praça (Alessandra Leite/Revista Cenarium)

Arte como símbolo da vitória da vida sobre a morte

Para o presidente do Concultura, o escritor Tenório Telles, o Paço Municipal vive um momento importante de resgate não só da memória, mas também da ocupação do espaço público, em especial a praça Dom Pedro II – local da exposição. “É um dia simbólico, pois com o abrandamento das restrições, tivemos a possibilidade de tornar presencial este evento ao ar livre. É tão bonito ver os artistas voltando para suas atividades e, principalmente, tendo como palco essa praça tão importante para nossa cidade e para a nossa memória cultural e artística também”, ressaltou.

Nas palavras de Tenório Telles,  o Dia do Artista Plástico com a exposição representa não só um dia especial, mas uma simbologia da retomada da vida, das artes e “quem sabe, a vitória da vida sobre a morte e a superação deste momento pandêmico que tanto sofrimento trouxe para todas as pessoas”.

De acordo com o presidente da Manauscult, Alonso Oliveira, a exposição representa a valorização da economia criativa e a sensibilidade neste momento em que os artistas estão “renascendo das cinzas”. “É um trabalho de integração entre Manauscult e Conselho de Cultura, para que espaços como esse sejam reabitados e humanizados, com os nossos artistas fazendo o que eles mais gostam de fazer”, finalizou.

Serviço

Onde: Praça Dom Pedro II, no entorno do Paço Municipal

Quando: Todos os sábados
Horário: de 9h às 13h