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18 de novembro de 2021
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Matheus Pereira – Da Revista Cenarium

Neste sábado, 1º de maio, é comemorado o Dia do Trabalhador, data escolhida em homenagem ao esforço de trabalhadores dos EUA, que, em 1886, foram às ruas para reivindicar a redução da carga máxima de trabalho por dia. Após 135 anos, as lutas por melhores condições de trabalho ainda seguem, mas, em tempos de pandemia, o cidadão brasileiro precisou lidar com a diminuição dos postos de trabalho e ainda com as restrições impostas pelo inimigo invisível.

De acordo com dados divulgados na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil tem o maior número de desempregados desde 2012. A estimativa é de que 14,4 milhões de pessoas estejam sem emprego no país. O número correspondente ao trimestre de dezembro de 2020 a fevereiro de 2021, é 2.9% maior (mais 400 mil pessoas desocupadas) em relação ao trimestre de setembro a novembro de 2020 (14,0 milhões de pessoas).

Desemprego

Em 2020, ano do início da pandemia, a taxa média anual de desemprego no país foi de 13.5, a maior desde 2012 aquela altura. A taxa verificada correspondia a cerca de 13,4 milhões de pessoas sem emprego. Entre essas dezenas de milhões, estava Gabriela Marães, que precisou lidar com o desemprego ainda no início da pandemia, já que trabalhava em uma empresa de varejo, que precisou diminuir o quadro de funcionários, por conta da nova realidade.

Gabriela conta que no mesmo ano, foi tentar a vida no Rio Grande do Sul e lá novamente conquistou um posto de trabalho em uma fábrica de Bento Gonçalves (a 122 quilômetros de Porto Alegre), mas que mais uma vez precisou lidar com o desemprego.

“Novamente por conta da pandemia, perdi meu emprego. A empresa teve que diminuir o quadro de terceirizados, e eu e mais 19 pessoas fomos prejudicados. A dificuldade de conseguir um novo emprego só aumentou durante a pandemia. Os estabelecimentos estão fechados ou com restrições e sem vaga para novos funcionários”, lamentou.

Desemprego no Brasil segue em alta e atingiu a maior taxa desde 2012 (Reprodução)

Valorização ao posto de trabalho e necessidade de qualificação

Com o mercado de trabalho mais escasso, quem ainda segue empregado também precisa se manter atento às mudanças imprimidas pela pandemia. O industriário, Levi Sampaio, afirma que o contato menos direto com as pessoas influencia diretamente no dia a dia de trabalho. “Dentro de uma empresa, o contato é necessário, os funcionários precisam trocar informações e para desempenhar as funções é preciso ter contato com as pessoas e, durante esta pandemia, precisamos respeitar o distanciamento”, destacou.

Além das mudanças no contato profissional, Levi destaca ainda que a pandemia influencia as pessoas diretamente e cada um encara os desafios impostos pela pandemia de uma forma diferente, o que atenua as incertezas com os postos de trabalho e com a garantia de renda. “Em uma empresa, trabalhamos com pessoas e existem algumas que conseguem tirar algo bom da situação, e outras que não conseguem e dentro de uma empresa, onde todos são concorrentes, existem os medos: ‘como vamos pagar a conta no final do mês?’ Mesmo desanimadas com as situações, as pessoas pensam: como vai ser o amanhã?”

No mês passado, a REVISTA CENARIUM abordou, em uma reportagem, a importância da qualificação para a entrada ou melhor colocação no mercado de trabalho em tempos de pandemia. A secretária-executiva do Trabalho e Empreendedorismo (Setemp) – órgão que administra o Sistema Nacional de Emprego (Sine-Amazonas), Neila Azrak, apontou que além da experiência, é essencial que o trabalhador busque cada vez mais se manter atualizado, pois a todo momento novas técnicas surgem e novas necessidades nos ofícios se alteram.

Empreendedorismo

Em meio às barreiras impostas pela pandemia de Covid-19, o empreendedorismo foi uma das alternativas encontradas pelo brasileiro para gerar sua renda. Segundo o IBGE, o número de trabalhadores por conta própria teve uma alta de 3,1%, e agora a estimativa é de que o país tenha 23,7 milhões autônomos, 716 mil a mais em relação ao trimestre móvel anterior.

A estudante Luana Oliveira conta que teve a ideia de empreender logo no início da pandemia, mas que inicialmente teve dificuldades para tirar o projeto do papel, já que a maioria dos estabelecimentos estavam todos parados. “Conversando com umas amigas, tivemos a ideia de criar nossa marca de camisetas, começamos a ter ideias, mas não podíamos pôr em prática nada, estava tudo parado e não tinha nada funcionando”.

Logo após a retomada do comércio dentro das restrições impostas, Luana conta que as ideias começaram a ser postas em prática, mas encontraram outra barreira imposta pela pandemia: o aumento nos preços dos produtos e insumos. “A falta de tecido, do algodão, fez com que os que tinham aqui em Manaus ficassem com os preços bem elevados e isso não mudou muito com o cenário de hoje, os custos ainda estão altos, mas nós vamos nos adaptando. Com muita persistência e determinação, estamos aqui até hoje e ainda na luta para se encaixar nesse mundo”. contou.

O economista Orígenes Martins explica que com a pandemia a renda da população diminuiu e as pessoas passaram a consumir menos, o que afetou diretamente no preço dos produtos. “Os índices de mercado, entre outras coisas, tem na lei de oferta e demanda seu principal fator. Sem demanda a produção tende a cair gerando alta no preço e desequilíbrio do produto no mercado”, apontou.

Auxílio insuficiente

Com nova previsão de aumento consecutivo da inflação de 4,85% para 4,92%, no mês passado, especialistas entrevistados pela REVISTA CENARIUM, revelaram que a alta do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deve dificultar ainda mais a situação de boa parte da população desempregada, que conta com redução do Auxílio Emergencial do governo federal de R$ 600 para até R$ 150.

Orígenes Martins afirmou que como o próprio nome diz, o auxílio emergencial não é uma solução, mas sim apenas uma ajuda suplementar e que com a diminuição do valor em 2021, a situação depende ainda mais da urgência na criação de empregos. “Solucionar esta situação só vai ser possível quando tivermos programas de geração de empregos, que permitam que a renda se normalize e o consumo volte a ser fator não inflacionário”, finalizou.