5 de março de 2021

Priscilla Peixoto – Da Revista Cenarium

MANAUS- Dia 11 de fevereiro é comemorado o Dia Internacional de Meninas e Mulheres na Ciência. Data aprovada em 2015 pela Assembleia das Nações Unidas em acordo com a Royal Academy Sciente International Trust (Rasit). Uma iniciativa mais que importante para incentivar mulheres e reconhecer aquelas que contribuem ou já contribuíram para o universo científico.

É inegável que a presença da mulher nesse campo ainda é bem restrita. Porém, a figura feminina no âmbito da ciência tende a aumentar e fazer belas histórias, frutos de muitos estudos e competência, até porque todo mundo sabe que competência mulher tem de sobra.

Segundo dados  divulgados no relatório Education at Glance 2019 da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) mostram que as mulheres brasileiras têm 34% mais possibilidade de ter uma formação superior. No entanto, elas ainda significam menos de 30% dos pesquisadores do mundo de acordo com o Instituto de Estatísticas da Unesco.

A entrada da mulher para o ensino superior foi uma longa jornada até ser permitida pelo império em 1879, porém, com a ressalva de ter a autorização do marido ou do pai. Oito anos se passaram e a gaúcha Rita Lopes foi a primeira mulher formada em medicina no país. Com o tempo, outras mulheres foram se formando em diversas áreas da ciência e deixando suas marcas registradas na história. A REVISTA CENARIUM listou alguns exemplos de mulheres brasileiras engajadas na ciência.

Confira:

Começamos com Nise Silva, nascida em 1905 em Maceió no estado de Alagoas, desenvolveu um trabalho pioneiro voltado à esquizofrenia. Foi um dos ícones da luta antimanicômio no Brasil. Investia na arte como terapia ocupacional para pessoas com esquizofrenia. Vale lembrar que em uma turma de quase 160 alunos, Nise foi a única mulher a se formar em medicina na época que estudava na Faculdade de Medicina da Bahia.

Nise Silva foi um dos ícones da psiquiatria no Brasil. (Reprodução/Internet)

Outra mulher competente que deixou sua contribuição foi Graziela Barroso, mais conhecida como a “primeira-dama” da botânica brasileira. Estudou biologia na então Universidade do Estado da Guanabara (hoje Uerj). É autora do livro considerado uma das principais referências da botânica no mundo todo (Sistemática de Angiosperma do Brasil). Lecionou durante 50 anos e até hoje é homenageada por profissionais da área.

Graziela Barroso, a “primeira-dama” da botânica brasileira. (Reprodução/Internet)

Dando um salto para os anos mais atuais, Celina Thurchi enche de orgulho aquelas que foram pioneiras na área da ciência no Brasil, sendo eleita em 2016 pela Revista Científica Nature como uma das 10 cientistas mais importantes daquele ano. Ela foi a líder do grupo de pesquisa realizada (FioCruz-PE)  que edificou a associação entre o zika vírus e a microcefalia. Ela também foi considerada pela revista norte-americana Time como uma das cientistas mais influentes do mundo.  

Celina Thurchi, conhecida mundialmente pela comunidade científica.
(Reprodução/Internet)

Denise Alves Fungaro, nascida no ano de 1959 em São Paulo. Negra, filha de pais humildes e com histórico de familiares com pouco acesso à escola, fatores que não impediram Denise de focar nos estudos e se tornar uma química reconhecida, respeitada e sete vezes premiada por suas pesquisas. Denise é formada pela Universalidade de São Paulo (USP), possui mestrado e doutorado em Química Analítica também pela USP e pós-doutorado em Eletroquímica aplicada ao meio ambiente pela Universidade de Coimbra, em Portugal.

Denise Silva teve suas pesquisas premiadas diversas vezes (Reprodução/Internet)

Juliana Estradioto, a jovem cientista já fez história na ciência mundial, apesar da pouca idade, até então com 18 anos, ela obteve o primeiro lugar na maior feira de ciências e engenharia para jovens cientistas pré-universitários. A jovem teve seu projeto voltado à exploração de resíduos que sobram da macadâmia para reaproveitar o que seria descartado no lixo em um material novo. Ela concorreu com outros 1.800 jovens com a mesma faixa etária e venceu, tendo o direito de dar seu nome simplesmente a um asteroide. Juliana coleciona uma série de prêmios e é superengajada na ciência e temas relacionados ao meio ambiente.

Juliana Estradioto, jovem cientista que já contabiliza diversos prêmios e contribuições para a ciência (Reprodução/Twitter)

A amazonense Marilene Corrêa, graduada em Serviço Social pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam), possui mestrado e doutorado em Ciências Sociais pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC) e Universidade Estadual de Campinas (UEC), além de pós-doutorado em Paris/Unesco e na Université de Caen France. Um dos principais nomes da Universidade Estadual do Amazonas (UEA), Marilene é uma das referências quando o assunto em questão tem como temática a Amazônia associada à educação e à ciência.

Marilene Corrêa, amazonense referência com assuntos ligados à Amazônia, ciência e educação. (Reprodução/Internet)