Dia Mundial do Meio Ambiente: 50 anos depois de evento que deu início a debates, Amazônia está no centro da discussão

Marcela Leiros – Da Revista Cenarium

MANAUS — Em 1972, um evento ficou no centro da atenção mundial. A Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano, conhecida como “Conferência de Estocolmo”, que ocorreu na cidade de mesmo nome na Suécia, se tornou um marco histórico ao reunir mais de 100 países para tratar sobre um tema que até então não recebia tanta atenção: o meio ambiente. E a relevância do evento foi tamanha que ali mesmo foi instituído o dia 5 de junho como o Dia Mundial do Meio Ambiente, uma data com a finalidade de chamar a atenção da sociedade para os problemas ambientais e para a importância da preservação dos recursos naturais, e que completa 50 anos neste domingo, 5.

Outros eventos sucederam aquela conferência, como a Eco-92 e as conferências do clima, conhecidas como “COPs“. Desde então, a atenção ao meio ambiente cresceu e colocou uma região específica no centro: a Amazônia. O ambientalista e diretor da Associação para Conservação da Vida Silvestre (WCS Brasil), Carlos Durigan, lembra que o maior bioma do planeta sempre teve destaque.

“A Amazônia é e sempre foi um ícone nos debates ambientais”, disse ele. “O que vemos é um engajamento cada vez mais forte da sociedade no ideal da sustentabilidade, tivemos muitos avanços do ponto de vista teórico e ideológico. No entanto, ainda sofremos para colocar em prática o que geramos de conhecimento e ideias para construir um modo de vida humano realmente sustentável, e isso é evidente nos últimos anos”.

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A análise pode ser exemplificada. No mês passado, a Floresta Amazônica atraiu, novamente, os olhos do mundo quando o bilionário Elon Musk, considerada a pessoa mais rica do mundo, segundo a Forbes, anunciou que pretende implementar satélites na região amazônica para conectar à internet 19 mil escolas de áreas afastadas, nas quais os cabos de rede não chegam, e também para a instalação de mais sistemas de monitoramento ambiental.

Meio ambiente em pauta

O ambientalista Carlos Durigan pontua ainda que apesar dos avanços e do engajamento, ainda há “regressão” tanto na luta contra a destruição do meio ambiente quanto no combate às mudanças climáticas, que são resultado dela.

“Impressionante como temos regredido a ponto de estarmos testemunhando agora um aumento considerável da degradação de nosso patrimônio natural, ameaça aos povos indígenas e aprofundamento das crises sociais, e ameaças diversas em escala global, como é o caso do que acontece em relação às questões climáticas”, acrescentou ele.

Durigan lembra ainda que desde os anos 1960 e 1970, cientistas já alertavam sobre o processo preocupante de mudanças climáticas.

“Era um debate que girava em círculos restritos e ainda havia carência tecnológica para comprovação de processos que, à época, eram aventados como causas deste processo. A partir dos anos 1990 [na Eco-92], tivemos um aumento importante de investimentos em ciência e em ações de conservação e no caso do conhecimento houve um avanço enorme que possibilitou não só medir e monitorar processos em curso, como de prever com maior exatidão o que pode vir a acontecer no futuro. Assim, hoje temos que a ciência nos mostra que chegamos a um ponto crítico que demanda compromissos reais e ações rápidas de mudanças de atitude, pois já estamos num processo de mudanças importantes no clima, inclusive já sentimos isso na pele, literalmente”, completou ele.

A socioambientalista Muriel Saragoussi explicou que eventos catastróficos como as chuvas em Pernambuco e Petrópolis, e até mesmo na Alemanha, assim como as cheias e secas históricas na Amazônia, são resultados das mudanças climáticas.

“A gente já vê elas no nosso cotidiano, e se tivéssemos aplicado melhor aquilo que tanto os governos quanto a sociedade se comprometeram [nas conferências], e as empresas entre eles, não estaríamos na situação de estar contando centenas de mortos em eventos que são consequências das ações humanas”, concluiu.

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