24 de fevereiro de 2021

Da Revista Cenarium

De forma espontânea, a REVISTA CENARIUM concede Direito de Resposta extrajudicial à Federação de Teatro do Amazonas, sobre a matéria: Lei Aldir Blanc em Manaus: filha de Amazonino recebe R$ 60 mil e R$ 4 milhões ficam concentrados nas mão de 30 artistas; não contemplados precisam de ajuda.

Leia mais sobre o assunto: De diretor municipal à artista na Grécia: veja alguns dos contemplados pela Lei Aldir Blanc no Amazonas

DIREITO DE RESPOSTA

A FETAM, Federação de Teatro do Amazonas, vem posiciona-se em relação a matéria escrita pela jornalista Paula Litaiff na revista eletrônica Cenarium – da Amazônia para o Mundo, no dia 19 de Fevereiro de 2021 sobre a Lei Aldir Blanc (Lei 14.017/20) e os contemplados.

Cenarium deriva do latim tardio, mas, para nós, representantes do Deus Baco e filhos indiretos do Teatro Grego, entendemos que cenarium, scenarius, deriva também de skené, cena, lugar no palco onde representava os atores e, neste caso, os atores que representavam os heróis trágicos no século V a. C em oposição à thymele, lugar do coro.

Após esse preâmbulo, a FETAM entende, se a cena está aberta, pressuponha-se que todos os artistas estão convidados ao diálogo, no cenarium. Estamos usando aqui a estrutura arquitectónica do Teatro grego para que você entenda a grandiosidade do seu veículo de informação e o que ele convoca.

Contudo, o diálogo, estrutura interna do texto teatral, jornalista Paula Litaiff, visa expor as motivações que estes atores (artistas) em reafirmar seus desejos desta situação dramática. Atualmente, senhora jornalista, a situação dramática é a sindemia do COVID – 19, esta crise generalizada da saúde pública e seus impactos de ordem econômica, social e política.

No Brasil, a pandemia – sindemia do COVID – 19 expôs a total inabilidade administrativa de setores para impedi-la. À exemplo, a segunda onda do COVID – 19 na cidade de Manaus. Ou seja, a situação dramática é clara, objetiva e ceifadora. Nossos discursos materializados através de nossas ações visam minimizar (se é possível) os efeitos catastróficos da crise sanitária na realidade cotidana. A Lei Aldir Blanc é exemplo dessa articulação de artistas, políticos e sociedade para implementá-la.

Não podemos deixar de mencionar e explicar passo – a – passo as motivações materializadas na matéria. Ela não nos empoe, de sobremaneira. Ela te expôs a uma dimensão de diálogo que sua afrontosa postura de personagem de drama burguês não consegue suportar.

Essa matéria é uma tentativa do tamanho da sua capacidade reflexiva de entender os mecanismos da Lei Aldir Blanc, a implementação, a dimensão e função de cada instituição de “elite” (voltaremos a esse ponto) e suas capacidades de atingir de forma indireta a sociedade manauara.

Talvez, no inebriante desejo “investigativo” de denunciar um escândalo, passou desapercebido, apesar das denúncias no Ministério Público, que todo o processo da Lei Aldir Blanc em Manaus fora realizado por gestores culturais responsáveis por pastas administrativas executivas do Estado e Município de forma habilidosa. E, os erros, foram solucionados com participação de debate público.

Dois outros pontos fundamentais para analisar a matéria são: a ideia de elite (entre aspas) e a função da lista. Se houver alguma mudança estrutural entre a (elite), detentora dos meios de produção e os artistas. Nos avise. Talvez, estejamos tão catatônicos que não percebemos essas mudanças, apesar das “aspas” para suavizar a expressão e composição no texto. É possível que você entenda que parte da desumanização do artista fora perpetrada pelas ideias burguesas do século XVIII e, nós, artistas “marginais”, “irresponsáveis”, “incompreendidos”, “vagabundos” e “corruptos” vivemos de forma contumaz, dia-a-dia, este processo de desumanização, mas, agora sobre a óptica capitalista neo-liberal que visa extinguir as pautas em relação à cultura no Brasil.

Por fim, a lista arbitrária (toda lista é arbitrária, porque ela não representa directamente todos os envolvidos) para isso, você poderia, de fato, ter entrado em contanto com cada artista e realizado uma pergunta simples: Quantos artistas vocês contrataram em cada protejo? Representam algum artista que não tenha pessoa jurídica? Esta lista, organizada no sistema de cola – cópia com os “principais” artistas da elite artística manauara sempre acompanhada de uma reles nota de rodapé assegurando o “argumento” jornalístico” de “estou provando o argumento através do diário oficial”.

Escrevo essa carta de repúdio não directamente a jornalista em si, mas a dimensão que a matéria representa no exercício de decompor e nos jogar à necropolítica.

É possível que sempre haverá uma heroína grega, honrando o passado para defender o discurso do personagem burguês da “peça-bem-feita”. Na qual, o exercício maior, é ser um títere manipulável discursando como um cérbero à frente do cenarium que, por sinal, que faz parte do edifício teatral em homenagem ao deus Baco, o Outro.

P.s. A última fase do tragédia, segundo Aristóteles, é a catástase que realiza o desfecho trágico e auxilia no processo de catarse da audiência, plateia.

Sem mais para o momento, respeitosamente, nos colocamos à disposição para quaisquer esclarecimentos.