6 de março de 2021

Da Revista Cenarium

De forma espontânea, a REVISTA CENARIUM concede Direito de Resposta extrajudicial a Sra. Lívia Mendes citado na matéria: Lei Aldir Blanc em Manaus: filha de Amazonino recebe R$ 60 mil e R$ 4 milhões ficam concentrados nas mão de 30 artistas; não contemplados precisam de ajuda.

Leia mais sobre o assunto: De diretor municipal à artista na Grécia: veja alguns dos contemplados pela Lei Aldir Blanc no Amazonas

DIREITO DE RESPOSTA

Para quem não me conhece, ou só me conhece como filha de alguém. Eu me chamo Lívia Regina Prado de Negreiros Mendes. Tenho 54 anos. Sou jornalista, cantora, compositora, escritora, gestora pública, produtora. Parece muito, não é? Mas podemos resumir para Artista.

Artista para quem não sabe é um fazedor de arte e espera-se que este fazer artístico aconteça além do sonho, do projeto. Realizar-se. Para tanto existem algumas formas de fazê-lo, patrocínio, auto investimento, empréstimos ou tentar os editais.

Em 2019 trabalhei muito como produtora e foi um ano profícuo. Consegui patrocínio e coloquei o The Beatles Bossa Clube na estrada. Mas não faria sozinha essa produção, logo contratei uma equipe, bem grande e desde uma produtora certificada até os técnicos de som. Isso se chama cadeia produtiva. Gerei empregos remunerados com o meu pensar artístico. Isso é muito gratificante.

Hoje me deparo com uma matéria que me julga e culpa por ter ganho dois projetos dentro de um edital federal e com apoio logístico do município, num ano em que todas as portas se fecharam, de extrema gravidade sanitária, que foi o ano de 2020.

Manifestação de Lívia Prado postada em suas redes sociais (Reprodução)

Este veio para criar alternativas para os artistas, não dando o dinheiro, em sua totalidade, para a mão de uma pessoa e sim para transformar um projeto em realidade. Foram dois livros. Os quais contratei produtores, administradores de rede, ilustradores, diagramadora, gráfica, revisores e posteriormente um profissional de áudio visual para transformar um lançamento em uma live de lançamento.

Bom é óbvio que o recurso tem vários caminhos para percorrer até chegar nas mãos do criador do projeto e sua justa paga, visto que, o projeto vem de uma ideia original e esforço intelectual para criar.

Eu me recordo de quando ganhei o projeto pixinguinha, da Funarte, com o CD Duzir. Fomos agraciadas no Amazonas, eu e a colega artista, cantora e produtora Lucilene Castro. Pois no ano seguinte fui nomeada para uma função na direção cultural do município novamente e assim que entrei, uma matéria como essa veio querer denegrir minha carreira artística, insinuando que eu, por estar na prefeitura teria” pago'” para ganhar um edital federal.

Oi? Eu ganhei em 2008 e em 2009 eu teria pago para isso? Pois é. A lógica não costuma acompanhar essas matérias. Meus livros hoje existem porque esse edital aconteceu e só tenho a agradecer. Não só por eles mas por todos os editais que ajudam os artistas. E então, peço licença para me referir a um dos primeiros editais que saíram da ideia, da cabeça dessa mulher que aqui escreve. Ele também foi incentivado por um recurso público e que teve o aval de grandes fazedores de cultura da época. Me refiro ao projeto valores da terra, que contribuiu para a carreira de tantos colegas artistas.

Eu aprendi com eles a ter coragem, a acreditar no meu potencial como acreditei no potencial deles. Eu busquei esse caminho e me orgulho muito mesmo.

Se essa matéria me explicar porque, uma artista, com mais de 20 anos de estrada, não poderia concorrer num edital público, já tendo ganho um no passado e tendo concorrido algumas vezes em outros certames, festivais de música, editais nacionais etc… Eu poderia tentar entender a importância que me atribuem e a colegas que vivem de arte, sim eu também vivo do fazer artístico, como muitos colegas artistas que exercem outros trabalhos mas que dependem horas em estudos, para aprimorarem-se, nessa grande mola propulsora da cultura que é a arte.

Não pretendo sair por aí processando matérias tendenciosas que nem sequer me procuraram para falar sobre esse assunto. Ontem uma mocinha, me ligou perguntando sobre meus livros, se poderia ter acesso. Eu como sou muito educada, lhe disse que poderia vir buscar aqui e ela não mais ligou.

No meu tempo, jornalismo era mais sério. Hoje contam-se nos dedos os bons. É uma pena, vergonhoso e injustificável pender ao julgamento público, através das redes sociais, uma pessoa que tem fácil acesso para conversar, que tem todas as informações inerentes a sua carreira artística para mostrar e ser retratada ali, como uma paraquedista, uma  referência a filiação.

Isso foi desrespeitoso com a minha pessoa. Foi ofensivo e tosco. Aviso que irei continuar produzindo e tentando captar recursos aos meus projetos, que são diversos e quantitativos, com eles ter parcerias e com vários profissionais além de pagá-los dignamente.

Se houverem mais editais seremos todos possíveis. Filhos de quem seja, todos somos filhos das artes e continuaremos a resistir.