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16 de setembro de 2021
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Odenildo Sena*

A primeira vez que me vi em um daqueles antigos laboratórios de fotografia fiquei maravilhado! Na quase escuridão do ambiente, os suaves movimentos do papel fotográfico, em contato com a solução reveladora, operavam diante dos meus olhos ansiosos o milagre de fazer surgir, de forma lenta e gradual, as imagens em preto e branco antes guardadas nos negativos. Sempre tive verdadeiro encanto pela fotografia!

     Por falar nisso, nesses dias devorei com grande prazer “Cartas a um jovem fotógrafo”, do brasileiro Bob Wolfenson. Foi lançado em 2009, mas já estava entre meus livros em casa no Brasil há mais de seis anos. Ocupava sua vez de leitura em uma fila quase interminável. E, para minha alegria, quando abri uma das últimas caixas que fizeram a travessia do Atlântico em nossa mudança para Portugal, lá estava o livrinho do Bob a me encarar e a dizer “ainda estou aqui!”. Não contei dúvida em atender seu apelo.

     Uma das coisas mais interessantes desse encontro com Bob foi poder confirmar em suas páginas o que, amadoristicamente falando, eu sempre tive claro na minha cabeça. Pouco importa se você se posta atrás de uma câmera para registrar uma paisagem ou um retrato, pois na fotografia não importa o quê, mas o como. É exatamente da escolha, ditada pela sensibilidade do olhar, que surgirá a originalidade do objeto fotografado. É claro que, por puro e feliz acidente, algumas vezes conseguimos essa originalidade e dela só nos damos conta quando nos vemos diante do objeto fotografado.

E aqui uma curiosidade: da mesma forma que na fotografia, o que define a importância da linguagem humana nunca está naquilo que se diz, mas no como se diz. A gramática é a mesma. As palavras são as mesmas. A sintaxe é a mesma. Mas a forma como nos valemos desses elementos, ao organizar o discurso, é a grande responsável pelo encantamento ou não do interlocutor. Pela atenção maior ou menor que dele merecermos. Por sua sedução ou convencimento ou por sua aversão ao que pretendemos transmitir. Por conta disso, quantas vezes somos incompreendidos e reagimos dizendo “não foi bem isso que eu quis dizer!”

A linguagem da fotografia tem perfeito paralelo com a linguagem humana.

(*) Odenildo Sena é linguista, com mestrado e doutorado em Linguística Aplicada e tem interesses nas áreas do discurso e da produção escrita.

(*) Odenildo Sena é linguista, com mestrado e doutorado em Linguística Aplicada e tem interesses nas áreas do discurso e da produção escrita.

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