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25 de julho de 2021
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Por Luciana Bezerra – Especial para a Cenarium

MANAUS – O DJ Alok, o brasileiro mais ouvido do mundo, está trabalhando, desde o início de junho, num projeto de audiovisual que inclui o primeiro álbum de sua carreira e uma série documental, inspirada na cultura e influências de sonoridade indígena que conta com a participação de diversos representantes dos povos originários do Brasil como, os Huni Kuin, os Yawanawa, os Kariri Xocó e os Guaranis, o Rap Owerá, que ficou conhecido como Kunumi MC, mas agora está em processo de mudança de nome.

O DJ está passando uma temporada com toda a família em Minas Gerais para se dedicar ao projeto, que está sendo gravado no estúdio Sonastério, em Nova Lima, região metropolitana de Belo Horizonte. Alok alugou uma casa na região especialmente para ficar próximo do estúdio e não precisar se deslocar a todo momento, em tempo de pandemia.  

Nas redes sociais, o artista compartilha com os mais de 25 milhões de seguidores as etapas das gravações. 

“É com muita alegria que compartilho esse momento com vocês: comecei a produzir o primeiro álbum da minha carreira. E como fonte de inspiração estou imerso nas raízes indígenas”, escreveu Alok em publicação feita no dia 21 de junho. “Tudo está sendo registrado e vai se tornar uma série documental produzida pela Maria Farinha Filmes. Ficarei trabalhando aqui pelos próximos 30 dias”, completou o artista.

Em outra postagem, Alok adiantou: “Sem dúvidas o projeto mais especial da minha carreira”.

No post publicado no dia 22 de junho, ele afirma que mesmo ocupado com as gravações está de olho em tudo que vem acontecendo em Brasília.

Owerá, que está gravando o seu segundo disco, deu um intervalo nas produções para passar 10 dias com o DJ, onde vão produzir uma canção juntos para o álbum de Alok. De acordo com o rap indígena o convite é um presente aos povos originários do Brasil.

“Está sendo um momento de muita aprendizagem para mim e para o meu povo, que está aqui presente. Uma maravilha”. Ele aproveitou para revelar um pouquinho sobre a faixa que vem aí: “vamos trazer a força da natureza com seres ancestrais da mata”, adiantou o indígena.  

Da Região Norte, sete indígenas da etnia Yawanawá, da aldeia Mutum, no município acreano de Tarauacá, e um cacique do povo Huni Kui, da Aldeia do Breu, no Rio Muru, em Rio Branco, participam do álbum de Alok, eleito o quinto DJ melhor do mundo, no ranking da conceituada revista inglesa DJ Mag, em novembro de 2020.

A ligação com os povos indígenas

A relação de Alok com os povos indígenas vem de longa data. O DJ afirmou nas redes sociais que essa relação existe há mais de sete anos, quando ele lançou, em 2015, uma música composta por sons de rituais indígenas. Na época, ele chegou a ficar três dias na Aldeia Mutum, em Tarauacá, com os povos da etnia Yawanawá, no Estado do Acre. Na ocasião, Alok escreveu nas redes sociais que não se sentia preparado para receber o cocar de um líder espiritual indígena. O artista, inclusive, saiu em defesa dos povos indígenas e pediu que o Supremo Tribunal Federal (STF) derrube o projeto de lei 490 que coloca em risco a demarcação de terras indígenas.