Do líder de Bolsonaro a um empresário da ZFM: ‘o governo quer que o Amazonas se exploda’

A conversa aconteceu dias atrás, nos corredores do Congresso Nacional. Aflito com a publicação do decreto presidencial que reduziu o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), um empresário de um dos setores que mais perderam competitividade na Zona Franca de Manaus procurava respostas àquele ataque sistêmico. Ao deparar-se com um dos líderes da base aliada de Jair Bolsonaro, com muito trânsito nos ministérios, e perguntar sobre a possibilidade de uma saída negociada para aliviar as perdas do modelo, ouviu um lacônico: “O governo quer que o Amazonas se exploda”.

Não aprova nada

O político da base aliada foi além. No breve diálogo que manteve com o empresário, que pediu para não ter o nome revelado, acrescentou que a “ordem era não aprovar nada em favor do Amazonas”. Atônito com a crueza das palavras e desalentado, o empresário se despediu. Perguntado qual a impressão que havia tido após esse diálogo, o empresário não titubeou. “Virou coisa pessoal. Claramente ele pune o Amazonas e um modelo imprescindível para a nossa economia por seus ódios pessoais,“ revelou o empresário à coluna Via Brasília, alegando não ver justificativa racional para o fato de o decreto não ter excluído os bens da ZFM.

Planalto não se importa

Mas ninguém pode acusar, ao menos nesse caso, o presidente de mentir. Quem não se recorda de uma live que viralizou em que Bolsonaro ameaça a Zona Franca de Manaus, mencionando os senadores Omar Aziz (PSD-AM) e Eduardo Braga (MDB-AM)? Dias depois, em reunião no Ministério da Economia, esse mesmo empresário pôde confirmar a veracidade do que havia dito o líder do Planalto. Ao afirmar que se fosse mantido o decreto do IPI, ele fecharia as portas e haveria demissão de trabalhadores, ouviu de um técnico da equipe do ministro Paulo Guedes: “Ah, mas você abre essas vagas de trabalho em outro lugar.”

Desemprego em massa

Mais cristalino impossível. O Amazonas sofre um ataque coordenado para satisfazer o sadismo presidencial que, ao tentar prejudicar políticos adversários no Amazonas, penaliza milhões de amazonenses. Pouco importa se isso vai levar à pobreza e à fome as 500 mil famílias empregadas no Polo Industrial de Manaus. Pouco importa que os recursos dos impostos da ZFM paguem a educação e a saúde públicas, a UEA, o funcionalismo e mantenham a nossa floresta em pé. Com menos riqueza circulante em decorrência da falência da economia, setores como comércio, serviços e os profissionais liberais serão atingidos porque sem emprego não tem consumo. Todos perdem.

Fake news da ZFM

Diante da ausência de espírito público por parte do Planalto, acertam em judicializar a questão o governador Wilson Lima e a bancada do Amazonas – senadores Omar Aziz, Eduardo Braga e Plínio Valério, e os deputados federais Marcelo Ramos, José Ricardo, Bosco Saraiva e Sidney Leite. Quatro deputados e aliados de Bolsonaro no AM se omitiram, optando por defender o presidente em vez de lutar pelos empregos dos amazonenses. Alguns ainda distribuíram fake news com a informação de que a liminar do ministro Alexandre de Moraes suspendeu todo o decreto, quando só sustou seus efeitos nos produtos da ZFM. Vale tudo para poupar o “Mito”, até jogar o Amazonas contra o Brasil.

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