28 de fevereiro de 2021

Com informações da CNN Brasil

MANAUS – O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, defendeu o fim da Lava Jato no Paraná e afirmou que o ex-juiz Sérgio Moro era o “chefe” da operação. Na avaliação do magistrado, apesar de a Lava Jato ter “méritos de combater corrupção” estava passando por um processo de “descolamento institucional”.

O ministro se referiu ao vazamento de diálogos comprometedores entre Moro e procuradores da operação. “Todos os fatos revelados indicam que a Lava Jato estava em outra estratosfera, sequer pertencia à Procuradoria-Geral da República. Você não via ninguém ali. Não via presença de um corregedor. Quem é o chefe da Lava Jato, segundo diálogos vazados?”, indagou o magistrado.

“É o Moro, a quem chamam de russo. Dizem que seguem código penal da Rússia. É um descolamento institucional. Por isso, talvez essa importância de regresso ao Brasil. Talvez tenham que restabelecer relações institucionais via Gaeco”, disparou Gilmar Mendes.

Em tom de repreensão, o ministro membro da mais alta corte do país afirmou ainda que os agentes públicos da Lava Jato eram “transgressores da lei”, o que “é grave e lamentável”. “Um colega de vocês (jornalistas) escreveu que a Lava Jato não morreu, foi assassinada. Eu diria que ela cometeu suicídio”, afirmou o integrante do STF.

Suspeição

Ainda em relação ao ex-juiz lavajatista Sergio Moro, Gilmar Mendes disse que espera julgar a suspeição dele ainda no primeiro semestre de 2021, no caso do triplex do Guarujá atribuído ao ex-presidente Lula. Moro condenou o ex-presidente sob protestos da defesa de Lula que alegou não haver provas de que o político teria recebido o imóvel como propina.

“Vamos nos posicionar nessa questão que é básica: saber se o juiz que julgou um dado réu era independente, imparcial em relação a ele”, ressaltou o ministro, acrescentando que a Corte pode declarar nulo o julgamento, mas que a decisão valeria somente para o caso do triplex.

O ministro voltou a criticar o ex-juiz e também ex-ministro de Bolsonaro. “Fiquei com a impressão que ele se dedicou ao embate parlamentar e reformas do Congresso, mas não cuidou do bom legado do governo anterior, que criou excepcionalmente o Ministério da Segurança Pública. Isso trouxe para a União o dever de coordenar ações nesse sentido. Isso precisa ser enfatizado e retomado”, finalizou.