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14 de junho de 2021
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Bruno Pacheco – Da Revista Cenarium

MANAUS – Especialistas da indústria madeireira e da engenharia florestal palestram nesta sexta-feira, 4, sobre o manejo florestal. O objetivo é desmistificar a atividade e levar ao debate da sociedade os benefícios ambientais, econômicos e sociais que o processo sustentável promove. O evento é uma iniciativa da Associação dos Engenheiros Ambientais do Amazonas e será transmitido, a partir das 19h, horário de Manaus, nas redes sociais.

De acordo com o palestrante Sérgio Amed e Silva, diretor do Sindicato da Indústria Madeireira do Amazonas e vice-presidente do Fórum Nacional da Base Florestal (FNABF), é preciso desmistificar que a atividade industrial madeireira está relacionada à destruição das florestas.

“A imagem que vem à mente do cidadão comum, depois de anos de bombardeio de informações incompletas e superficiais, associa a atividade industrial madeireira à destruição das florestas. Muito pelo contrário, pretendemos evidenciar cada vez mais que as serrarias são parte de um processo de conservação das florestas, pois sem essa parte econômica, a superestrutura da conservação ambiental não se mantém”, explicou.

Segundo o madeireiro, manejo florestal é o processo que culmina com a colheita planejada de árvores que já cumpriram seu ciclo de vida na floresta. Este processo, continua Amed, se inicia com a elaboração do inventário florestal, onde se identifica e se mede todas as árvores de uma determinada área.

“Posteriormente, os técnicos determinam quais estão aptas ao abate e colheita de forma a não prejudicar a floresta. É importante ressaltar que a colheita das árvores maduras é feita preservando as matrizes sementeiras e que esse processo ajuda a fixar o carbono na floresta, pois dá oportunidade a que as árvores jovens, recebendo maior quantidade de luz, cresçam mais rapidamente e, portanto, cumpram sua importante função ambiental”, explica.

Conforme Sérgio Amed, o manejo florestal ocorre em áreas de florestas públicas e privadas e, principalmente, nas áreas de reserva legal das áreas de agropecuária e os principais benefícios são em decorrência do uso economicamente responsável da terra. Amed destaca que a ecologia é baseada em um tripé que não pode ser desbalanceado: sociedade, meio ambiente e economia.

“Assim, para manter a floresta em pé, cumprindo suas funções sociais e ambientais, é essencial também dar rentabilidade a mesma. E o manejo florestal cumpre perfeitamente essa missão”, reforça.

Debate

O encontro online está programado para iniciar às 19h de hoje, horário de Manaus, e conta com o apoio do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Amazonas (Crea-AM), o Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea) e a Caixa de Assistência dos Profissionais dos Creas (Mútua). Para participar do debate e obter certificado, é necessário realizar inscrição no link: https://forms.gle/4B43kWriYSkd2yPw6.

Além de Sérgio Amed, o engenheiro florestal do Crea-DF e presidente da Sociedade Brasileira de Engenheiros Florestais, Pedro Salles, também palestra nesta sexta-feira, 4, sobre o manejo. A presidente da  Associação dos Engenheiros Ambientais do Amazonas, Janeth Fernandes, e o engenheiro florestal do Crea-AM, Eire Vinhote, serão os mediadores.

No debate, o madeireiro Sérgio Amed afirmou à REVISTA CENARIUM que pretende evidenciar que o território amazonense é composto de uma enorme quantidade de áreas que são de conservação obrigatória, como as florestas públicas e as áreas de reserva legal das propriedades agropecuárias. Para ele, caso não se dê uma função econômica a essas áreas, há o risco delas não sobreviverem com o passar do tempo.

“Outro ponto que pretendo trazer é que o controle social hoje é muito mais possível que no passado. Tecnologias como o monitoramento de satélites permite, em tempo real, ver eventuais degradações da floresta e enviar agentes de fiscalização ao ponto exato onde estão acontecendo irregularidades. As autoridades fiscalizadoras podem fazer muito mais com muito pouco investimento, uma vez que esses sistemas de monitoramento são públicos”, frisou.

Desmatamento x manejo

Por meio de legislações federal, estaduais e municipais, o manejo florestal é regulamentado em todo o Brasil e é uma ação contrária ao desmatamento da floresta, feito pela atividade madeireira ilegal. No Amazonas, segundo Sérgio Amed, em face da ausência de áreas com regularização fundiária, onde o Estado reconhece que terras antes públicas se tornaram em propriedades privadas, há poucas áreas afeitas ao manejo.

“O manejo florestal vai sempre conviver com o corte raso. Este é o direito que todas as propriedades privadas têm de, em percentual estabelecido pelo Código Florestal ou pelo Zoneamento Econômico-Ecológico da região, efetivamente desmatar parte de sua área para ali realizar sua agricultura ou pecuária. Mas a essência é que toda a produção de madeira nacional pode ser feita de forma sustentável por meio do manejo florestal”, finalizou.