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24 de julho de 2021
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Com informações do O Globo

RIO DE JANEIRO – O agravamento da situação hídrica tem levado especialistas a revisarem as expectativas de inflação para 2021 e a preverem novos impactos sobre a atividade econômica em razão do encarecimento no custo da energia elétrica.

Dados do IBGE mostram que os preços da energia elétrica residencial estão acima da inflação anual desde 2017, e há expectativa de que o item encerre o ano com a mesma trajetória de alta.

Na prática, além da conta de luz ficar mais alta, o item tende a pressionar segmentos da indústria e serviços, cuja retomada é esperada com maior intensidade no segundo semestre.

O coordenador do índice de preços da FGV, André Braz, revisou de 5,8% para 6,3% a projeção para o IPCA de 2021, considerando a possibilidade de manutenção da bandeira vermelha nível 2 durar até o fim do ano e com a expectativa de reajuste médio de 7% pelas distribuidoras de energia.

“Para a indústria, é mais um desafio porque ela é grande consumidora de energia e já está lidando com o aumento dos preços das matérias-primas e o aumento da taxa de juros”, diz Braz.

Ele acrescenta:

“Os serviços também vão sofrer nessa retomada. Um salão de beleza é intensivo em energia, assim como um consultório que usa máquina para esterilizar instrumentos. É um custo a mais para o setor de serviços, uma dificuldade adicional.”

Andrea Damico, economista-chefe da Amor Capital, revisou a projeção de IPCA de 5,9% para 6,2% este ano por causa da energia, podendo chegar a 6,5% em razão da elevação de preços dos bens industriais. Ela diz que o custo maior da energia pode dificultar o manejo da inflação para o centro da meta em 2022.

“Estamos oscilando entre 6% e 7% para a inflação de energia no ano que vem, quando a meta de inflação é 3,5%. É quase o dobro da meta e é um item importante, traz certo risco junto com a inércia que a inflação de 2021 carrega”, disse.

Luciano Sobral, economista-chefe da Neo Investimentos, revisou a projeção do IPCA em 2021 de 5,3% para 6%, com contribuição de 0,2 ponto percentual da energia elétrica, considerando a bandeira vermelha 1 no fim do ano.

“Há aumento de custo que será repassado ao consumidor. O problema é se entrarmos em um racionamento como em 2001. Há uma luz amarela acesa e estamos monitorando”, pontuou.