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2 de dezembro de 2021
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Com informações do O Globo

BRASÍLIA – O ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello passou mal durante intervalo, na tarde desta quarta-feira, da CPI da Pandemia, e a sessão foi suspensa. O senador Oto Alencar, que é médico, contou que Pazuelo teve síndrome vasovagal, por ficar tanto tempo sentado. Foram cerca de seis horas de depoimento. Segundo Oto, o ex-ministro estava pálido e tonto e precisou deitar em um sofá para se recuperar.

“Deitamos ele no sofá. Se recuperou. Até poderia retomar o depoimento. Ele pode fazer o esporte que quiser, isso é muito comum. Acontece com quem está muito nervoso, emocionado e fica muito tempo sentado”, afirmou. 

O presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM), suspendeu a sessão que será retomada na quinta-feira às 9h30. Ele justificou a decisão em razão da reunião no plenário do Senado, que impede a CPI de ser realizada, e porque ainda há 23 senadores inscritos para falar. O plano original era retomar a sessão ainda hoje após o fim da reunião do plenário.

No depoimento, o ex-ministro da Saúde afirmou que nunca recebeu ordens do presidente Jair Bolsonaro para fazer algo diferente da conduta adotada em sua gestão. A declaração, no entanto, contradiz um vídeo gravado pelo próprio Pazuello em outubro de 2020, após o então ministro ser desautorizado por Bolsonaro em relação à compra da vacina Coronavac. Na ocasião, ao lado do presidente, Pazuello afirmou que “um manda, outro obedece”.

Pazuello disse ainda que Bolsonaro esteve a par de todo o processo de tratativas para compra da vacina da Pfizer, que se estendeu de julho do ano passado até março deste ano, negou que as ofertas tenham ficado inicialmente sem resposta e se comprometeu a enviar à CPI os registros de comunicações do ministério com a farmacêutica. Os questionamentos também abordaram a falta de oxigênio no Amazonas no início do ano, e a narrativa de Pazuello sobre a crise em Manaus foi contestada por senadores.

Em seu depoimento, Pazuello relatou que havia convergência entre posicionamentos dele e do presidente. “Em momento nenhum o presidente me deu ordem para fazer diferente do que eu já estava fazendo”, afirmou Pazuello.

Ao tentar minimizar o episódio em que disse “um manda e o outro obecede”, Pazuello alegou que a frase representa um “jargão militar, apenas uma posição de internet e mais nada”, sem efeitos práticos. De acordo com o ex-ministro, embora o presidente o tenha desautorizado publicamente sobre o protocolo de intenções de compra da Coronavac, nada foi dito para ele ou para o Ministério da Saúde de forma reservada.

“Ele falou publicamente, para o ministério ou para mim (não disse) nada. Só havia termo de intenção de compra e foi mantido. Uma postagem na internet não é uma ordem. Ordem nunca foi dada”, declarou Pazuello. “Nunca o presidente mandou eu desfazer qualquer contrato ou acordo com o Butantan. O presidente também se posiciona como agente político. A posição dele não interferiu em nada no diálogo com o Butantan”, destacou.

Em outubro do ano passado, no mesmo dia das críticas de Bolsonaro, o secretário-executivo da gestão Pazuello, Elcio Franco, disse que não havia “intenção de compra de vacinas chinesas” ou qualquer compromisso com o governo de São Paulo em relação a vacinas. Na ocasião, Franco disse que tratava-se de um protocolo entre Ministério da Saúde e Instituto Butantan “sem caráter vinculante”.

Pazuello também declarou à CPI que o Brasil não é obrigado a seguir orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS) durante a pandemia. Segundo o ex-ministro, ele teve “100% de autonomia” para montar sua equipe, e lembrou que foi convidado diretamente por Bolsonaro, em abril do ano passado, para integrar o Ministério da Saúde ainda como secretário-executivo da pasta.

Em seu relato à CPI, Pazuello argumentou que sua declaração de que “todos queriam o pixulé do final do ano”, em março, quando estava deixando o ministério, não referia-se a vantagens indevidas, e sim a sobras do orçamento que poderiam ser reaplicadas após demandas, por exemplo, de gestores locais. Em 2020, porém, ele relatou não ter ocorrido sobra.

“É isso aí. Não tem nada de errado. Não citei ninguém. Não havia ninguém recebendo nada. São os recursos não aplicados”, disse Pazuello.