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28 de janeiro de 2022
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Com informações do Infoglobo

BRASÍLIA – ”Menino alegre, com sorriso lindo e cheio de vida”: é assim que a comerciante Socorro da Silva, de 51 anos, descreve o neto Guilherme, vítima da Covid-19 aos 10 anos. A pandemia subverte a ordem natural das coisas ao ceifar vidas de crianças. São pais que enterram os filhos, avós que perdem os netos, irmãos que crescem sozinhos. Futuros, sonhos, projetos e histórias deixam de existir diante de mortes tão precoces.

“Ele era como o ar que eu respiro, ele era tudo para mim. Eu me sinto cega, porque ele era a luz dos meus olhos”, conta Socorro.

Guilherme, que tinha Síndrome de Down, apresentava comorbidades, como cardiopatia e hipertensão pulmonar, além de estar com anemia. Após ter contato com um parente infectado, a febre foi o primeiro sintoma que o menino manifestou, segunda a avó. No dia seguinte, Guilherme precisou ser internado e chegou a ficar 12 dias intubado na UTI do Hospital da Criança, em Brasília. 

“De lá, ele não voltou mais com vida”, relata Socorro, emocionada. Casos como o de Guilherme expõem a fragilidade de crianças e jovens perante a Covid-19, doença para a qual a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) já liberou vacina para o público de 5 a 11 anos. As doses pediátricas, contudo, ainda não estão disponíveis. 

Ao todo, pelo menos 301 crianças de 5 a 11 anos morreram de Covid-19 no Brasil desde o início da pandemia até 6 de dezembro, conforme revelado pelo GLOBO. É como se o coronavírus ceifasse, em média, uma vida mirim a cada dois dias ou 14,3 por mês. Não à toa, o País é segundo colocado na lista de países em que mais crianças vieram a óbito pela doença. 

“Nossos números aqui no Brasil são muito tenebrosos, diria até dramáticos. Quando a gente compara com Estados Unidos ou com Europa, as nossas taxas de mortalidade e de letalidade são muito altas, pelo menos cinco ou 10 vezes maiores. Minha leitura é de que há um misto de desigualdade social com uma carência na população de condições adequadas, por acesso inoportuno ao tratamento médico…”, avalia o presidente do Departamento de Infectologia da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), Marco Aurélio Sáfadi. 

Faltam dados e estudos para subsidiar os fatores de risco por Covid-19 para crianças. De 0 a 2 anos, Sáfadi cita prematuridade, anomalias das vias aéreas, doenças cardiovasculares e neurológicas crônicas.

Já na faixa etária de 2 a 17 anos, os riscos passam a se assemelhar com os adultos: diabetes melitus, obesidade, crianças que usam sonda gastroenteral e doenças pulmonares crônicas, neurológica e cardiovascular, entre outras. 

“A gente conhece com muita propriedade os fatores de risco nos adultos, mas a noção de risco em crianças não é tão clara. Estudos existem, há dados, mas não têm a mesma riqueza de informações e evidências”, declara o médico, que também é professor de Pediatria da Santa Casa de São Paulo.

A preocupação também é com o pós-Covid. O filho do médico Marcel Ruperto tinha 5 anos quando contraiu a Covid-19 em 2020. Durante o período de infecção, a criança não apresentou sintomas. Após a cura, o pequeno Bruno desenvolveu a Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica, doença rara, mas grave, que é uma condição inflamatória que afeta diferentes órgãos do corpo das crianças infectadas pelo coronavírus.  

“Ele (Bruno) foi para UTI, precisou de (remédios) para manter o coração batendo bem. […] Passou sete dias intubado, ficou extremamente grave. (Foi) uma angústia muito grande”, disse Marcel ao GLOBO.  

“Não há patamar aceitável de óbitos e sequelas em crianças. O Brasil é o segundo país do mundo que mais perdeu crianças para Covid-19 no mundo, a doença matou mais que o dobro da soma de todas as outras doenças imunopreveníveis e está entre as líderes de óbitos infantis atualmente. O primeiro óbito já extrapolou o patamar aceitável”, critica a professora de Saúde Coletiva da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e integrante do Observatório Covid-19 BR, Alexandra Boing. 

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