‘Elza Infinita’: dirigido por mulheres cineastas negras, documentário é finalista do ‘New York Film Festival’ 2022

Priscilla Peixoto – Da Revista Cenarium

MANAUS – Intitulado ‘Elza Infinita’, o documentário que aborda um recorte da trajetória de sucesso da cantora Elza Soares foi escolhido para a fase eliminatória de um dos principais festivais de artes de mídia do mundo, o New York Film Festival 2022, realizado em Nova York. O trabalho, que mostra a força e o talento da artista, ganha mais representatividade por ter a direção assinada por duas cineastas negras pernambucanas: Érika Candido e Natara Ney.

A dupla faz parte da empresa de criação e desenvolvimento de conteúdo audiovisual, Kilomba Produções, produtora focada no compromisso de fomentar o trabalho audiovisual negro. Ansiosas, elas aguardam pelo resultado do anúncio final dos trabalhos premiados pelo festival que será divulgado na próxima terça-feira, 26.

Cineastas Érika Candido e Natara Ney (Reprodução/Kilomba Produções)

“É um trabalho entrecortado por números originais, com um prisma de pessoas que haviam estudado a vida da Elza, não como pesquisadoras, mas no lugar de intérpretes. Elza é uma produtora, diretora, criadora, artista, empresária e falamos sobre ela neste lugar de realizadora, de uma Elza que deu certo, pois, a história de sofrimento de Elza já está muito contada e queríamos mostrar a história de uma preta rica de sucesso, porque isso ela foi também”, explica Natara Ney.

Equipe

De acordo com a cineasta, a ideia original do documentário é de Andréa Alves, da Sarau Agência, produtora que levou o espetáculo sobre Elza para apresentações em todo o País. Baseada nesta produção, a roteirista Dione Carlos construiu a linha narrativa do documentário, como explica a cineasta.

“Foi um espetáculo de sucesso. Erica e eu fomos convidadas para a direção e nós chamamos a Dione Carlos, uma das maiores roteiristas do País, para fazer a estrutura dessa linha narrativa. A partir disso, entendemos que a história da Elza deveria ser feita pelas atrizes que a interpretavam em cena”, explica Natara destacando a participação efetiva de mulheres negras na equipe.

“Outra coisa que foi muito importante para nós, neste projeto, foi a presença das mulheres negras em toda a equipe. Trilha, diretores de fotografia, figurinistas, todas pretas e isso é muito significante”, ressalta Érika Candido.

O trabalho que mostra a força e o talento da artista (Reprodução/Divulgação)

Festivais abrem portas

Para as cineastas, festivais são uma ponte para que mais pessoas possam conhecer e ter acesso a trabalhos feitos com qualidade, no Brasil, principalmente por pessoas negras. Além de ‘Elza Infinita’, que, inclusive, já foi exibido pela GloboPlay e no GNT, Natara Ney também dirigiu o longa-metragem chamado “Espero Que Esta Te Encontre e Que Esteja Bem”, que participou em festivais na Espanha e em Lisboa.

“Essa coisa de festival é muito importante porque abre uma janela de conhecimento, troca, aprendizado. E o Elza tem uma colocação especial, e tudo o que a gente pode fazer para celebrar a memória de Elza tem que ser feito, até porque temos constantes apagamentos que artistas e criadores negros sofrem. Estar com ela em um festival desse porte é uma celebração das nossas mais velhas e do nosso futuro. Uma marca de que nós existimos e de que há, sim, pessoas negras fazendo audiovisual de qualidade, no Brasil, e isso tem que ser registrado”, finaliza.

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